Bernardo Carvalho, Isabel Minhós Martins e Maria Radich
Folha de Sala
Eu também moro na ponta dos pés texto nasceu de um convite do Teatro Maria Matos para pensarmos um espetáculo sobre a dança destinado aos mais pequeninos.
Sentimos que contar a História da Dança de uma perspetiva cronológica poderia repetir um pouco o que já tínhamos feito para o espetáculo Daqui vê-se melhor, em que se contava a história do Teatro desde a Grécia Antiga aos nossos dias, mas a ideia de pensar sobre Dança era irresistível. De onde vem a vontade de dançar? Como é que o corpo responde (ou não) a essa vontade? Se o nosso corpo fosse outro, se fossemos uma cadeira, a cana de um canavial ou uma andorinha, dançaríamos? E como? Será que nos sentiríamos completos? A dança das perguntas começou e foi então que apareceu a menina desta história: uma menina que traz a energia da dança dentro dela e que procura um lugar onde seja possível exprimir toda essa força, toda essa vontade.
Eu, pessoalmente, não tenho um jeito especial para dançar. Sou trapalhona, tenho alguma vergonha. Mas gosto tanto! E muitas vezes, em casa, quando não está mais ninguém, danço sozinha.
E vocês, dançam?
Normalmente quando as histórias começam, já todos sabem quem são.
Já todos têm um corpo, uma cara, uma roupa, sapatos.
Ou então uma cauda, uma tromba, um par de asas, escamas.
Já todos decidiram se têm 4 pernas, como as cadeiras ou os gatos, ou apenas 2, como as galinhas ou as pessoas.
Normalmente, quando as histórias começam, já todos sabem o seu lugar.
Mas nesta história não é assim. E quanto tudo começar, num tempo e num lugar misteriosos, vamos conhecer uma menina que ainda procura tudo isto.
Isabel Minhós Martins
Sinopse
O corpo não é uma roupa que vestimos e despimos. O corpo somos nós: por fora e por dentro. O corpo está vivo: às vezes manda em nós, fala por nós, mexe-se sozinho. O corpo transforma-se: também é vento, chuva, uma estrela-do-mar. Há coisas difíceis que o corpo não faz: respirar debaixo de água, voar… Outras coisas parecem difíceis mas, se treinarmos muito, chegamos lá. Eu moro dentro do meu corpo e gosto de aqui morar. É um lugar bestial onde estão sempre a acontecer coisas. Contigo também é assim?
Um ano depois da sua estreia no Teatro Maria Matos, Eu também moro na ponta dos pés, uma colaboração com o Planeta Tangerina, regressa à nossa sala para pôr crianças e adultos a pensar em tudo o que um corpo consegue fazer.