El Conde de Torrefiel
Bio
EL CONDE DE TORREFIEL
Pablo Gisbert e Tanya Beyeler encabeçam o projeto artístico El Conde de Torrefiel, cujas peças cénicas têm uma estética visual e textual que convive com a literatura, as artes plásticas e a coreografia, numa procura de transcender os parâmetros da linguagem verbal.
El Conde de Torrefiel configura as suas peças de modo a servirem como piquetes do caminho que percorrem. Propostas que trabalham o espaço cénico a partir de uma temporalidade imediata, formulando hipóteses que podem responder às incógnitas propostas pelo século XXI e à forma como são representadas em cena.
A trajetória profissional da companhia iniciou-se em 2010 com a estreia de La historia del rey vencido por el aburrimiento. Seguiram-se Observen cómo el cansancio derrota el pensamiento em 2011, Escenas para una conversación después del visionado de una película de Michael Haneke em 2012, La chica de la agencia de viajes nos dijo que había piscina en el apartamento em 2013 e La posibilidad que desaparece frente al paisaje, que se estreou em junho de 2015 no CDN de Madrid, integrado no ciclo “El lugar sin límites: dramaturgias en movimiento” comissariado pelo Teatro Pradillo.
A companhia percorreu o território espanhol apresentando as suas peças em diferentes locais e festivais como no Teatro Pradillo e no Festival de Otoño a Primavera de Madrid, no Festival BAD de Bilbao, no Festival Temporada alta de Girona ou no Festival Sâlmon de Barcelona, entre outros.
A partir de 2014 os trabalhos da companhia extravasaram fronteiras internacionais com participações em salas e festivais latino-americanos no Brasil, Equador, Paraguai, Venezuela, Chile e México; e, também, em solo europeu: no Flare Festival de Manchester, no Festival Rencontres choregraphiques e no Théâtre de la Bastille de París, no CDN de Montpellier, no Kunstenfestivaldesarts de Bruxelas (com a estreia da peça Guerrilla a 18 de maio deste ano), no Noorderzone na Holanda ou no Alkantara Festival em Lisboa.
El Conde de Torrefiel faz parte da equipa artística da companhia de dança La Veronal, para a composição textual e dramatúrgica das suas peças.
Folha de Sala
Nunca ninguém soube o que fazer com a sua vida,
Por isso, numa cidade, existem tantas possibilidades
de concretizar uma vida.
E por isso, porque numa cidade existem tantas possibilidades
de concretizar uma vida,
Nunca ninguém soube o que fazer com a sua vida.
Desastres que parecem quase impercetíveis dado o seu carácter quotidiano.
Esta peça é composta por doze histórias que destilam, aqui e além, as preocupações e os fantasmas de um grupo de jovens europeus, literalmente colocados num espaço indefinido. Representam os membros de uma sociedade perdida, submergidos numa forma contemporânea e quotidiana de fascismo.
Com certa ironia, esta peça pretende sublinhar este fenómeno de submissão passiva, para tomar consciência dessa dualidade, inclusivamente esquizofrénica, da qual padecem estes indivíduos no momento em que não são conscientes deste “sequestro”, consequência do legado histórico, da educação ou da religião.
Encurralados entre o desejo, as suas fantasias, os instintos sexuais mais primitivos e as obrigações sociais, os personagens destas histórias estão em conflito constante entre o que desejam, o que fazem e o que dizem. Com as doze histórias de Escenas para una conversación después del visionado de una película de Michael Haneke podemos observar como um grupo de pessoas atuam segundo um padrão de recomendações e regras sociais às quais estão “naturalmente” submetidas e que não compreendem. A peça investiga esta espécie de misterioso poder de uma antiga convenção que injeta no tecido social, direta ou indiretamente, formas de comportamentos e pensamentos conformes aos cânones globais.
A força desta peça reside em três mecanismos principais: na alternância entre momentos de narração e de texto projetado, no contraste entre aquilo que se diz e o movimento em palco e na omnipresença de música eletrónica, uma ferramenta dramatúrgica de metonímia para o conceito de alienação e de fascismo.
Escenas para una conversación después del visionado de una película de Michael Haneke é um exercício cénico, um laboratório de experimentação que tem como objetivo constante ativar a imaginação do público de forma independente daquilo que é sugerido no texto. Considerando que a peça desenha a expressão estética e artística de uma ideia, chegamos a uma questão: quão livres realmente somos nas nossas formas de pensar e nas nossas ações?
Cristina Vinuesa
Menores 30 anos: 5€
em espanhol com legendas em português e inglês
Alkantara Festival
Sinopse
Este espetáculo reúne doze histórias das quais emergem as inquietudes e os fantasmas de um grupo de jovens europeus que pertencem a uma sociedade perdida. Mergulhados numa forma contemporânea e quotidiana de fascismo, estão encurralados entre as suas fantasias, os seus desejos sexuais mais primitivos e as normas sociais. São personagens em conflito permanente com o que desejam, com o que fazem e com o que dizem. Misto de desespero e de humor, o espetáculo é um laboratório de experimentação que assenta na alternância entre momentos de narração e texto projetado, no contraste entre a palavra e o movimento, e na omnipresença da música eletrónica. Pela primeira vez em Portugal, El Conde de Torrefiel é um coletivo de Barcelona fundado em 2010 por Tanya Beyeler e Pablo Gisbert. Espetáculos como La historia del rey vencido por el aburrimiento e Observen como el cansacio derrota el pensamiento trouxeram-lhe o reconhecimento em Espanha e ajudaram a revelar uma das companhias mais surpreendentes da Europa.