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El Pasado es un Animal Grotesco Mariano Pensotti Informações sobre o Evento
11 → 12 Abr 2015
Datas e Horários
sábado ↣ 21h30 / domingo ↣ 18h30
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€

bilhete duplo Mariano Pensotti 18€
Duração
1h40
Classificação
M/14
Informação Adicional

AVISO: Neste espetáculo, existe luz strobe (estroboscópica)

Teatro

El Pasado es un Animal Grotesco
Mariano Pensotti

Bio

Bio

Mariano Pensotti (Buenos Aires – 1973) estudou cinema, artes visuais e teatro. As suas peças foram apresentadas na Argentina e em festivais e teatros na Bélgica, Alemanha, França, Irlanda, Letónia, Brasil, Canadá, Japão, Áustria, Espanha, Chile, Inglaterra, Dinamarca e Suíça.

Pelo seu trabalho, obteve os prémios Rozenmacher, Clarin e Premio F e as bolsas Unesco-Aschberg, Rockefeller Foundation, Fundación Antorchas e Casa de América de Madrid.

Folha de Sala

Folha de Sala

O passado é um animal grotesco

1- Será possível, nos tempos que correm, inventar grandes ficções que contenham, simultaneamente, o que imaginamos e acontecimentos reais das nossas vidas e das vidas das pessoas que conhecemos? Em que medida é que a história das nossas cidades influencia a nossa própria história? O que é que acontece quando a ficção se situa dentro de um quadro temporal concreto? Como contar 10 anos da vida de uma pessoa? Como incorporar a História mais recente, sobre a qual ainda não se refletiu o suficiente, nas nossas histórias mais exorbitantes?

Estas são algumas das perguntas que estão na origem de El pasado es un animal grotesco.

As histórias de quatro personagens, ao longo de 10 anos, de 1999 até 2009. Através de fragmentos breves e intercalados, narra-se a vida de quatro pessoas de Buenos Aires, desde os 25 até aos 35 anos, o momento em que uma pessoa deixa de ser quem acha que vai ser para se tornar em quem é, com a referência ocasional às transformações sociais e económicas desses 10 anos.

Algumas dessas histórias concentram-se no quotidiano e outras mais no extraordinário, algumas incluem elementos documentais ou autobiográficos e outras mergulham, abertamente, na ficção. Por sua vez, cada história bifurca-se e ramifica-se em pequenas histórias secundárias.

Trata-se de uma tentativa de narrar um grande número de histórias, à maneira das narrativas desmesuradas do século XIX, onde uma ficção solta é contida por um quadro histórico e temporal preciso.

A obra é interpretada por apenas quatro atores. Fechados num disco giratório, em permanente movimento, sozinhos empreendem a heróica tarefa de narrar e representar essa multiplicidade de histórias, dando vida a dezenas de personagens e situações.

Uma “mega ficção”, mas narrada com recursos cénicos mínimos.

 

2- Há dez anos, comecei a colecionar fotografias danificadas que um laboratório, perto de minha casa, deitava fora, todos os meses. Não sabia para quê. Há algum tempo, o sítio fechou – já quase ninguém revela fotos – e eu voltei a inspecionar as caixas cheias de imagens danificadas que tinha acumulado, fragmentos desfocados e descartados de vidas de desconhecidos. Muitos pareciam ser de pessoas da minha geração – o registo defeituoso de uma década.

Recordei uma frase de Balzac que falava da sua arte como a tentativa de “fotografar a alma das pessoas e o seu tempo”. Decidi pegar em algumas das fotos e tentar reviver o espírito ambicioso dessas narrativas do século XIX, contando a vida de quatro personagens da minha geração, ao longo de 10 anos. Usei as imagens deterioradas como base para as inventar.

O resultado foi um texto altamente narrativo, literário, cheio de acontecimentos e situações irrepresentáveis e, ao mesmo tempo, de muita liberdade.

Pensei na ideia de “identidade como construção narrativa”: somos o que narramos.

E também na forma como a vida se torna ficção.

Na peça, apoiado no esforço épico de 4 atores que narram e representam um grande número de histórias, o passado surge como um animal entrevisto na selva dos sonhos, um animal que muda de forma de cada vez que o recordamos, um animal grotesco.

 

3- Os pontos de partida das quatro histórias principais: um homem quer ser cineasta independente mas, por agora, apenas atua em publicidades de cerveja patéticas; uma mulher rouba as poupanças do pai, açougueiro, para ir para Paris viver a vida boémia dos filmes da Nouvelle Vague e acaba num parque temático que reproduz a vida de Cristo; uma rapariga descobre que o pai tem uma família paralela no campo, com a qual fica obcecada; um estudante e escritor amador recebe uma caixa com uma mão cortada dentro que lhe muda a vida.

 

4- De um ponto de vista narrativo, a obra desenvolve um procedimento peculiar: as situações representadas, o que se vê, são momentos breves, interpretados em tempo real e de forma cinematográfica, que dão conta de um momento específico na vida de cada personagem. Ao mesmo tempo, um narrador ao vivo, um dos próprios atores, conta o que acontece aos personagens, nesse momento específico, como uma voz em off, sobreposta às situações. Por vezes, narra o que acontece aos personagens e, outras vezes, dá conta dos seus pensamentos.

Narrar o passado como quem usa a voz em off para conferir sentido aos fragmentos dispersos de um filme que se perdeu para sempre.

O passado como um animal estranho, que deve ser inventado e capturado a partir de pistas vagas.

 

5- The past is a grotesque animal é o título de uma canção do grupo Of Montreal. Ouvia-a muito, enquanto escrevia o texto. A sua duração excessiva e a sua ambição narrativa faziam com que a sentisse muito próxima do que estava a desenvolver. Decidi usar o nome e incluir a canção na peça, quando as histórias se aproximavam do final.

11 → 12 Abr 2015
Datas e Horários
sábado ↣ 21h30 / domingo ↣ 18h30
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€

bilhete duplo Mariano Pensotti 18€
Duração
1h40
Classificação
M/14
Informação Adicional

AVISO: Neste espetáculo, existe luz strobe (estroboscópica)

Sinopse

Depois de receberem Béla Pinter, tg Stan e Vera Mantero em simultâneo nas suas salas, o Teatro Maria Matos e a Culturgest apresentam agora um programa duplo de espetáculos que revela ao público lisboeta o premiado autor e encenador argentino Mariano Pensotti.

 

El pasado es un animal grotesco narra a história de quatro personagens ao longo de 10 anos, de 1999 a 2009, tendo como pano de fundo uma Argentina de profundas transformações económicas e sociais. Através de fragmentos breves e intercalados, contam-se as vidas de quatro pessoas de Buenos Aires desde os 25 aos 35 anos, o momento em que deixamos de ser quem achamos que vamos ser e em que nos transformamos em quem realmente somos. Cada história é multiplicada em muitas outras e os quatro atores, encerrados num palco giratório, empreendem a heroica tarefa de narrar os diferentes episódios e situações, dando vida a várias personagens. Uma megaficção entre a Nouvelle Vague e as narrativas desmesuradas do século XIX com recursos cénicos mínimos.

 

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Mariano Pensotti 11 Abr 2015

Ficha Artística

texto e encenação: Mariano Pensotti

interpretação:
Javier Lorenzo, Maria Ines Sancerni, Santiago Gobernori e Laura Paredes

cenário e figurinos:
Mariana Tirantte

desenho de luz:
Matías Sendón

operação de luz:
José Ansaldo

operação de luz:
Alejandro Leroux

música:
Diego Vainer

engenheiro de som:
Ernesto Fara

assistência de encenação:
Leandro Orellano

produção executiva:
Florencia Wasser

produção:
Grupo Marea

produção da digressão:
Ligne Directe/Judith Martin

coprodução:
Kunstenfestivaldesarts, Complejo Teatral de Buenos Aires, Theaterformen (Hannover), Norwich & Norfolk Festival e Festival de Otoño de Madrid

fotografia:
Almudena Crespo

uma colaboração Teatro Maria Matos e Culturgest

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E-mail: geral@egeac.pt

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