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Dirty Beaches Landscapes in the Mist Informações sobre o Evento
03 Abr 2014
Datas e Horários
quinta ↣ 22h
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Classificação
M/3
Local
Sala Principal
Música

Dirty Beaches
Landscapes in the Mist

Bios

Bios

ALEX ZHANG HUNGTAI

Alex Zhang Hungtai (1980), mais conhecido como Dirty Beaches, nasceu em Taipé (Taiwan), tendo residido em cidades como Toronto, Honolulu, Montreal, Vancouver e Berlim. Atualmente encontra-se a morar em Lisboa.

Antes do seu primeiro longa duração Badlands (2011), Hungtai tinha já editado uma série de EP baseados em instrumentais com editoras que trabalham exclusivamente com cassetes. Gravou também diversas bandas sonoras originais, como por exemplo Water Park, para um documentário de Evan Prosofsky. Em 2013, editou o duplo LP Drifters/Love is the Devil pela Zoo Music. O seu trabalho foi reconhecido pelas suas composições baseadas em samples, loops e na sua voz de crooner, que lhe dá uma aura misteriosa.

 

SHUB ROY

Subhayan Roy, natural do Canadá, é um músico multi-instrumentista, compositor, engenheiro/produtor de som, tendo acumulado ao longo da última década um variado percurso musical. Iniciou-se na música avant-garde, drone e noise, mas tem explorado o mundo do punk (Grand Trine, editados pela Almost Ready Records/Alien8), do post-punk (Pink Noise, Sacred Bones Records), do no wave prog/metal (Yamantaka e Sonic Titan, que assinam pela Suicide Squeeze Records) e também da pop francesa (Jef Barbara, Tricatel Records) em adição a outros projetos. Desde 2011, colabora com Dirty Beaches, participando no disco Drifters/Love is the Devil, entre outras edições, e múltiplas digressões pela Europa, América do Norte, Ásia e Austrália.

 

ANDRÉ GONÇALVES

Tem vindo a desenvolver, desde 1998, diversos projetos em diferentes áreas artísticas, nomeadamente nas artes plásticas, música, vídeo, instalação e performance. Conta no seu currículo com diversas exposições e festivais em mais de 20 países um pouco por todo o mundo. Foi-lhe atribuída a Bolsa Ernesto de Sousa em 2005 e foi Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 2005 e 2009. Foi também distinguido com uma Menção Honrosa na categoria de Linguagens Digitais do FILE Prix Lux 2010, São Paulo, e foi finalista na categoria de Performance no prémio Celeste Prize 2010, Nova Iorque.

O seu trabalho musical, a solo ou em coletivos, está documentado em mais de 15 edições em diversas editoras nacionais e internacionais. Atualmente, trabalha no seu projeto Feltro e integra o noneto O Carro de Fogo de Sei Miguel. Nos últimos anos, tem sido mais reconhecido pelo seu trabalho como o criador por detrás da marca de sintetizadores modulares ADDAC System.

Folha de Sala

Folha de Sala

A tua música é muito diversificada. Num dia, gravas um álbum a solo ao piano, no outro, uma banda sonora com guitarras esparsas, canções ruidosas. Qual é a tua abordagem à criação artística? O que te leva a pegar num instrumento e tocar? 

Acho que, no fundo, todos delineamos o nosso próprio caminho e assim que entendermos e aceitarmos isso, percebemos que o mais importante é expressar aquilo que queremos. O método, o género e a estética são meras ferramentas que facilitam esse processo. Se o que realmente queremos exprimir se cruza com as tendências contemporâneas, então que seja. Se não, que raio importa isso? A vida é demasiado curta para nos regermos pelas opiniões dos outros.

 

Quando estás a trabalhar em música nova, segues algum método? Sabes sempre o que procuras?

É um processo muito longo de condensação e consolidação de ideias, que podem ser apenas uma história simples, uma imagem, um sentimento, ficcional ou não ficcional. Numa segunda fase, as ideias são construídas e formatadas de forma a encaixarem num storyboard, como num processo de montagem. Às vezes, a música ganha vida própria e pode significar, posteriormente, uma coisa completamente diferente do que quando a criei. Como se, de certa maneira, se estivesse a manifestar a si própria.

 

Nasceste em Taiwan, cresceste no Havai e passaste vários anos entre o Canadá e Berlim. A ideia de pátria diz-te alguma coisa?

Achava que sim, mas quanto mais penso sobre o que é o nacionalismo e as ideias que resultam daí, mais acho que isso cria uma linha entre “nós” e “eles” e outras tretas de extrema-direita. Por isso, acho que não posso definir a minha pátria como uma cidade ou país. Sou o meu próprio país. É aí que se encontra a minha pátria e onde o meu coração dorme à noite. Um ser sem Estado, no meio deste mundo pós-moderno sempre confuso e cheio de contradições. Imagino que a pátria seria um passaporte de colagens, paisagens e recordações acumuladas ao longo da vida e dos quilómetros. A pátria é como um holograma de imagens interligadas, espelhadas e refletidas até se tornarem uma espécie de imagem estilhaçada. Ou, se calhar, também é só a porra da cama onde dormimos. Acho eu…

 

O concerto no Teatro Maria Matos vai ser muito especial e diferente daquilo que tens vindo a apresentar ao vivo, com ênfase numa vertente mais meditativa da tua música. Vais tocar com o Shub Roy e o André Gonçalves. Vai ser um regresso ao universo de Waterpark/Love Is The Devil ou é a soma de todo o teu trabalho?

É uma mistura entre passado, presente e futuro, o inconsciente e o consciente. Não te posso dizer exatamente os detalhes da instrumentação, se é isso que queres. Porque é o que é. Nada menos e nada mais. É beleza, é merda, é caos, é ordem. As palavras e os géneros são só definições sem sentido para as pessoas que não conseguem imaginar a música.

 

Qual é o contributo criativo do André Gonçalves?

Para mim, o André representa o desconhecido. Fizemos uma jam enquanto ele me ensinava os princípios básicos dos sintetizadores modelares e muito do que fez era focado na ideia de que “as coisas não foram feitas para serem repetidas”. Gosto muito dessa ideia. Pode ser uma coisa parecida, mas nunca será o mesmo. Por isso, naturalmente, o contributo do André é um salto para o desconhecido.

 

Mudaste-te recentemente para Lisboa. Como é que a cidade te inspira?

Lisboa é uma autêntica pérola secreta da Europa. Podia pôr-me a falar dela sem parar e os portugueses iam achar de certeza que estou a romantizar excessivamente a cidade. Mas por onde é que hei-de começar? O oceano mesmo ali ao lado, os azulejos e a arquitetura fascinantes. Lisboa está imaculadamente preservada, a comida faz-me lembrar pitadas da Ásia, do Havai e do resto da Europa. As pessoas são simpáticas e cultas, as rendas e o custo de vida são ideais para os artistas. É romântico, caraças. O que é que eu posso dizer? “VIVA O GALÃO!”. Ah! Já sei, é mais difícil meter conversa com as raparigas de Lisboa do que, por exemplo, com as de Berlim. Pronto. É a minha única queixa.

 

Love is the Devil foi gravado num período difícil da tua vida. Ao ouvi-lo, conseguimos perspetivar as coisas de uma forma mais positiva. 

Achas que a arte e os artistas no mundo ocidental assumiram esse papel xamânico?

Pode significar diversas coisas para várias pessoas e talvez seja isso que acho mais fascinante nesta profissão. Uma obra poderosa e verdadeira pode mesmo sarar, magoar, destruir, construir mundos inteiros dentro da cabeça das pessoas. Pode ser mobília em segundo plano, um companheiro de viagem ou uma espécie de telegrama auditivo codificado. E esse género de obras muda a forma como vemos o mundo. Não só no mundo ocidental mas no mundo inteiro. Porra, os espíritos existem em toda a parte.

 

entrevista a Alex Zhang Hungtai por Sérgio Hydalgo, programador de música da ZDB, março 2014

03 Abr 2014
Datas e Horários
quinta ↣ 22h
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Classificação
M/3
Local
Sala Principal

Sinopse

Em colaboração com a Galeria Zé dos Bois

Inquieto e multifacetado, Alex Zhang Hungtai tem vindo a transportar uma intensa matéria musical enquanto Dirty Beaches. Embora frequentemente perfilado como um crooner punk de sentidos despertos ao poder das imagens, apercebemo-nos, no entanto, que o abstracionismo se assume igualmente como uma via essencial na sua obra. Essa ausência de formas rígidas e o sentimento de não-pertença a um lugar de conforto leva-o a abordar terrenos menos óbvios. Também literalmente: o tempo que Alex Zhang Hungtai passou em Lisboa no início deste ano abriu a sua música a novas inspirações e paisagens. É nesse contexto que se apresenta no Teatro Maria Matos: Landscapes in the mist é um concerto único e exclusivo de Dirty Beaches, feito de novos sons e novas imagens, de Lisboa e do nosso encontro com o rio e o mar. Como ponto de referência, tomem a brilhante banda sonora Water Park, sobre um parque aquático indoor no Canadá, ou a segunda metade do seu álbum de 2013, em que Alex Zhang Hungtai se afirma definitivamente como um construtor exemplar de ambientes e um ávido criador de espaços sonoros.

 

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Dirty Beaches 03 Abr 2014

Ficha Artística

guitarra elétrica, safoxone e efeitos:
Alex Zhang Hungtai

guitarra elétrica, eletrónica e efeitos:
Shub Roy

sintetizador modular:
André Gonçalves

imagem:
Vera Marmelo

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E-mail: geral@egeac.pt

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