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Dementia Kornél Mundruczó/Proton Theatre Informações sobre o Evento
11 → 12 Abr 2014
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Duração
2h30
Classificação
M/18
Local
Sala Principal
Teatro coprodução mm

Dementia
Kornél Mundruczó/Proton Theatre

Folha de Sala

Folha de Sala

UMA VIDA DE CONTRADIÇÕES
entrevista de Tom Mustroph a Kornél Mundruczó, publicada no Die Tageszeitung, 6 março 2014

 

O seu atual espetáculo Dementia é sobre pessoas que perderam a memória e, consequentemente, a sua identidade, que padecem dela, que se dão às vezes também por isso por felizes, mas que procuram o suicídio como saída. Quão forte é uma metáfora sobre a atual Hungria? E o suicídio é, na verdade, a única saída?

Claro que tem muito que ver com a Hungria. Mas também é um melodrama e um jogo de transformação. Desempenhamos o papel de idosos, mas somos jovens. Gosto desses paradoxos. A ideia surgiu a partir de uma história na minha família. Uma mulher idosa com demência não foi capaz de reconhecer novamente os seus filhos. Quando um dos filhos se sentou ao piano e tocou operetas que esta mulher ouvia e cantava de bom grado, a memória voltou parcialmente. Queria recrear este momento. Mas também entra o suicídio e a questão das pessoas inúteis. Na nossa sociedade, é-se rapidamente considerado inútil, o que também se aplica a um grupo livre.

 

Entretanto, Dementia já foi apresentado em algumas cidades. Qual foi a reação do público? Em que medida se sobrepuseram os debates estéticos aos debates sobre a situação política na Hungria?

Na Hungria, a peça foi muito bem aceite pelo público. As nossas reflexões sobre a sociedade ― politicamente muito incorretas por carecerem de orientação política e por não serem de direita ou de esquerda ―, tiveram uma resposta positiva. Segundo a nossa experiência, a liberdade e a independência são categorias muito importantes para o público. Tínhamos dúvidas a este respeito.

 

Houve por exemplo alguma influência crítica ou tentativa de censura?

No geral, as condições pioraram. O apoio financeiro está em declínio. Por outro lado, alguns diretores de teatro com vínculo permanente gostariam de fazer parte de um movimento independente. Apoiam-nos, pelo menos em termos ideológicos, porque é importante que haja posições independentes na Hungria. Sem ajuda externa, o nosso grupo livre, o Proton Theatre, não poderia existir. É paradoxal e doloroso para nós, porque também temos uma posição bastante crítica em relação à União Europeia. Quando era jovem, a União Europeia parecia-me ser um paraíso. Isso agora mudou.

 

De onde vem essa deceção?

Pertencemos à geração “Zero”. Não temos realmente más memórias do comunismo, porque mal o testemunhámos. Tinha 13 anos quando se deu a transformação. A Hungria era considerada uma “barraca divertida” do Socialismo. Quando se deram depois as mudanças democráticas, desejei durante dez anos que a Hungria fizesse parte da Europa. Mas tal não aconteceu. Embora tenhamos de facto um tipo de democracia, é uma democracia controlada, como a de Putin. A maioria das críticas feitas à sociedade húngara está correta quanto ao conteúdo. Lamentavelmente, apenas se critica e nada se faz para proteger a democracia. Nem mesmo a União Europeia toma ações. Em meu ver, os próprios húngaros ainda não conseguiram viver a democracia nem mesmo interiorizá-la na última década e, portanto, não conseguem viver com a sua liberdade. Sente-se cada vez menos liberdade e as distâncias entre o Leste o Ocidente intensificam-se.

 

Deseja que a União Europeia interfira no país como na Ucrânia?

Dificilmente se acredita no que se está a passar lá. É um alerta ainda maior do que a Grécia. Tanto para nós como para a União Europeia. Não podemos no entanto comparar nem a Grécia nem a Hungria com a Ucrânia, uma vez que estes dois países fazem parte da União Europeia, e a Ucrânia não. A pressão de Putin é extremamente forte. Lembra-me a Hungria em 1956 e Praga em 1968. Aguardo com expetativa a reação tanto da União Europeia como também dos Estados Unidos.

 

Prevalece então um clima de medo na Hungria quando chegam notícias da Ucrânia?

Sim, sem dúvida. O nosso governo afirma que a Hungria não deve ser uma colónia da União Europeia. Mas acho que ninguém quer ser uma colónia da Rússia de Putin. Provavelmente, muitos assim o achavam até se saber recentemente que Orbán e Putin haviam chegado a um acordo relativamente à construção de dois novos reatores na central nuclear húngara de Paks.

 

Abandona-se a Hungria ou fica-se? Também se interroga sobre essa questão?

Sim, definitivamente. No entanto, esta questão só é relevante para quem tem essa oportunidade. É uma decisão muito difícil. Mas para quem já vive num gueto no seu próprio país, então já se vive de qualquer maneira no estrangeiro. Partir inteiramente é sempre difícil, porque também se corta com as suas raízes.

 

Então fica por causa das suas raízes?

É preciso entender as diferenças. Não consigo viver sem as minhas raízes, por isso tenho de viver aqui em Budapeste. Não tenho nenhuma resposta clara. É uma vida de contradições permanentes.

 

É conhecido por recorrer frequentemente à violência nas suas peças e também nos seus filmes. Por vezes a violência parece ser a única forma possível de comunicação para os protagonistas. Porquê tomar esta decisão?

Isso deve-se às histórias. Quando se quer contar a verdade, não se pode ignorar a violência. Não estilizo. Se alguém se sente provocado, diz mais sobre a pessoa do que sobre a peça.

 

Notei que sempre que aparece na indústria do teatro aparece como “encenador húngaro”, portanto como alguém de quem se espera que, com o seu trabalho, também diga algo sobre o país em que vive, ao passo que na indústria cinematográfica é visto principalmente como um artista e isto mesmo fora do contexto da Hungria.

Creio que é porque os filmes são atemporais. Se se é concreto demais, fica-se mais tarde numa posição desconfortável. Quem sabe daqui a 20 anos o que aqui se passou? Mas no teatro acontece o inverso. Se alguém é atemporal em palco, não afeta. É preciso comunicar com o público sobre questões atuais.

11 → 12 Abr 2014
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Duração
2h30
Classificação
M/18
Local
Sala Principal

Sinopse

Um dos mais famosos hospitais psiquiátricos da Hungria foi obrigado a encerrar portas há alguns meses. O edifício tem-se degradado, o jardim transformou-se numa selva de ervas daninhas e alguns pacientes foram deixados para trás a vegetar solitariamente. Os pacientes num avançado estado de demência estão a viver no império da amnésia.
A nova criação de Kornél Mundruczó confronta-nos com questões delicadas: como pode a sociedade beneficiar do prolongamento da vida de um paciente mental? Qual é o sentido de ajudar aqueles que sofrem se o caminho leva à morte, independentemente dos esforços? No fim de contas, não é a sociedade sempre melhor caracterizada pela forma como trata os mais velhos e aqueles que vivem com dificuldades? Dementia divide-se entre o realismo documental e um melodrama pós-moderno vertiginosamente próximo da vida quotidiana.

Kornél Mundruczó ganhou fama internacional como realizador de cinema, mas é atualmente reconhecido pelas peças de teatro hiperrealistas e impiedosas, que encena em conflito aberto com o regime sufocante da Hungria. Apesar das enormes dificuldades que enfrenta em Budapeste, continua a criar as suas peças graças a uma rede de apoio extensa de teatros e festivais internacionais. Em 2010, a Culturgest e o Alkantara Festival apresentaram a sua criação Hard to be a God.

 

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Material Gráfico Cartaz Kornél Mundruczó 11 Abr 2014

Ficha Artística

interpretação:
Ervin Nagy, Roland Raba, Annamária Láng, Lili Monori, Balázs Temesvari, Orsi Toth, Gergő Banki, László Katona

encenação:
Kornél Mundruczó

assistente de encenação:
Zsófia Csató

dramaturgia:
Viktória Petrányi, Gábor Thury

música:
János Szemenyei

direção técnica e desenho de luz:
András Élteto

cenografia e figurinos:
Márton Ágh

produção:
Dóra Buki

assistente de produção:
Ágota Kiss

aderecista:
Gergely Nagy

técnico de som:
Zoltán Belenyesi

técnico de vídeo:
Zoltán Gyorgyovics

camareira:
Melinda Doman

coprodução:
Hebbel am Ufer, Theatre National de Bordeaux en Aquitaine, Hellerau, Trafó House of Contemporary Arts, Festival De Keuze, Noorderzon Performing Arts Festival, Spielart Festival, Festival Automne en Normandie, Maria Matos Teatro Municipal, Künstlerhaus Mousonturm, Kunstenfestivaldesarts

apoio:
NXSTP e House on Fire, com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

Uma coprodução House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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E-mail: geral@egeac.pt

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