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De Repente Fica Tudo Preto de Gente Marcelo Evelin/Demolition Inc. (Teresina) Informações sobre o Evento
23 → 24 Set 2014
Datas e Horários
terça e quarta ↣ 21h30
Preço
14€ / Com desconto 7€
Menores de 30 anos 5€
Duração
60 min
Classificação
M/16
Local
Palco da Sala Principal
Dança

De Repente Fica Tudo Preto de Gente
Marcelo Evelin/Demolition Inc. (Teresina)

Bios

Bios

Marcelo Evelin é coreógrafo, investigador e intérprete. Vive e trabalha na Europa desde 1986, onde actua na área da dança e doteatro físico, tendo colaborado com profissionais de variadas linguagens, nacionalidades e experiências, em projectos tambémenvolvendo música, vídeo, instalação e ocupação de espaços específicos.

É criador residente do Hetveem Theater em Amsterdão com sua companhia Demolition Inc., e ensina improvisação e composição na Escola Superior de Mímica de Amsterdão, onde também cria projectos e orienta estudantes em processos criativos. Orienta workshops e projectos colaborativos em vários países da Europa, Estados Unidos, África, América do Sul e Brasil, para onde regressou em 2006. Desde então tem trabalhado também como gestor e curador, além ter criado e coordenar, em Teresina – Piauí, o Núcleo do Dirceu, um colectivo de artistas independentes e plataforma de pesquisa e desenvolvimento das Artes Performáticas Contemporâneas, que por duas vezes foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA): Política Pública em Dança/2008 e por Formação, Difusão, Produção e Criação em Dança/2011. As suas mais recentes criações, Bull Dancing (2006),MONO (2008) e Matadouro (2010) têm sido apresentados no Brasil e no exterior. Este último encerra a trilogia baseada em Euclides da Cunha – a terra em Sertão (2003), o homem em Bull Dancing e agora, em Matadouro, a luta – e já foi apresentado no Rio de Janeiro, Teresina, São Paulo, Santos, Salvador, Bruxelas (Bélgica), Maastricht (Holanda), Liege (Bélgica), Lisboa (Portugal) e Kyoto (Japão).

Em Novembro de 2012 estreou no Festival Panorama de Dança/RJ De repente fica tudo preto de gente, contemplado com o Prémio Funarte Klauss Vianna de Dança, numa co- produção Brasil/Bélgica/Japão, com apresentações confirmadas para 2013 em Bruxelas |KunstenFestivaldesArts, Kyoto | Kyoto Experiment e Londres | Dance Umbrella.

CRIAÇÕES E INTERPRETAÇÕES

2012 | De repente fica tudo preto de gente
2010 | Matadouro
2008 | I Figure – Escola Superior de Artes de Amsterdam
2008 | Cromwel – Núcleo do Dirceu
2007 |MONO
2007 | Palimpsesto – Núcleo do Dirceu
2006 a 2009 | Projeto Instantâneo – Núcleo do Dirceu
2006 | Bull Dancing
2005 | Loaded + Lus Van de Pligth
2005 | Luoghi de Solitudene + Alex Guerra
2004 | Sertão
2004 | Self Service + Atelier de Coreografos
2003 | Mijn Huis/Jouw Huis + Anne Karin ten Bosch
2002 | Sacre
2002 | Thuiskomen + Anne Karin ten Bosch
2001 | Co-Incidence
2000 | C.Q.D
2000 | Sitters
1999 | Alarma de Silencio

 

Folha de Sala

Folha de Sala

ENTREVISTA COM MARCELO EVELIN

publicada no Website do Festival Transamérique (Montréal, Canada) www.fta.qc.ca

                        

No cerne de De repente fica tudo preto de gente está a questão da comunidade humana e de viver em conjunto. Intérpretes e espectadores partilham o mesmo espaço, mantendo-se, no entanto, e apesar de tudo, duas entidades relativamente separadas.

É óbvio que toda a gente sabe que os intérpretes trabalharam na obra durante três meses e que são pagos para lá estarem, mas o facto de o espaço ser volúvel elimina a zona de segurança do público e altera as regras do jogo.

O espectador sabe que tem de se mover mas não sabe o que vai acontecer. Isso fá-lo pensar antes mesmo de o espetáculo começar, o que realmente me agrada.

Nada permite ao espectador antecipar os movimentos dos bailarinos ou evitar a possibilidade de sujar a roupa ao entrar em contacto com os intérpretes, o que cria mais tensão.

Tudo isso favorece o encontro e o viver uma experiência partilhada, ainda que as experiências sejam bastante diferentes. Os espectadores podem, por exemplo, recuar para evitarem sujar-se ou optar por se manterem expostos a essa possibilidade. No Brasil, um fotógrafo fez uma série de retratos do público a sair do teatro e as pessoas orgulhavam-se das manchas e das nódoas.

É uma prova tangível e esplêndida de que houve um encontro.

Eu estava mesmo a tentar pensar no mundo como uma comunidade, a tentar compreender aquilo que somos.

O livro Masse und Macht [Massa e Poder], de Elias Canetti, foi uma grande inspiração. Ele fala sobre o que acontece quando se reúnem massas de pessoas e sobre os diferentes tipos de multidões — aberta e fechada, em fuga, invisível. Quando viajámos para Tóquio, eu fiquei fascinado com as catervas de indivíduos que afluem ao cruzamento do lado de fora da estação de Shibuya, a passagem de peões mais movimentada do mundo, mas sem se tocarem, até sem se falarem ou olharem. É de tal forma distante da nossa experiência no Brasil que levantou questões sobre as diferentes formas de os humanos se juntarem e reunirem.

Uma das coisas mais importantes que Canetti assinala é que o medo mais comum é o medo do outro, mas perdemos esse medo quando os corpos estão próximos, quando estamos em contacto físico com o outro.

Para ultrapassar esse medo, trabalhámos naquilo que se partilha nesse contacto — a ideia de se estar sozinho na multidão, formas de se aproximar do outro deixando-se ser guiado pela experiência sensorial, de modo a ultrapassar os limites pessoais.

Os corpos procuram-se uns aos outros, não de uma forma intelectual ou social, mas de uma forma animal e essencialmente humana.

 

A principal razão que o levou a optar pela nudez também está presente em trabalhos anteriores?

Ao trabalhar sobre o corpo — e a dança é uma das suas expressões mais interessantes — ganhei um terror ao vestuário, o qual constitui um filtro cultural.

Prefiro deixar o corpo exposto em toda a sua força e fragilidade, eliminando todas as camadas que existem entre nós e os outros, de modo a estabelecer um relacionamento direto com o outro.

Na verdade, adorava organizar um espetáculo em que os espectadores estivessem nus. No caso desta obra, cobrir os corpos de óleo alimentar e carvão impunha naturalmente a nudez, mas era também uma escolha política, dado que o corpo nu é forte. Não esconde nada. Transmite uma certa transparência do ser humano, um estado de rendição e vulnerabilidade que, no Brasil, é muito preocupante. Introduz a noção de erotismo que muitas vezes falta na dança, a qual é frequentemente demasiado artística com as suas formas bonitas e ideias grandiosas.

Penso que também é importante explorar a ligação erótica entre os humanos, sem falar necessariamente de sexo, mas mais da maneira como Georges Bataille a concebe.

 

Já apresentou este trabalho em três continentes. Houve diferenças assinaláveis na reação do público?

A resposta do público é inacreditavelmente a mesma em todo o lado.

Isso foi uma grande surpresa para mim. Apercebi-me de que este espetáculo é uma coreografia para o público, porque os bailarinos são livres de escolher os movimentos e porque condicionam os movimentos da multidão de espectadores, que no seu conjunto se movem sempre da mesma forma.

E em todo o lado há a mesma diversidade de reações: as pessoas têm medo, fogem, afastam-se do espaço, enquanto outras permanecem perto dos bailarinos e falam com eles e, às vezes, até lhes tocam.

Esta obra tem qualquer coisa de combate, um combate não violento de relações com o outro, de possibilidades com o Outro. O Outro e a questão da alteridade estão no cerne do meu trabalho.

Quem é ele? Onde é que eu estou nele? Onde é que ele está em mim?

Eu sou brasileiro, mas também pode haver em mim um europeu, uma mulher, um inuíte. Claro que nesta obra o Outro é o público.

23 → 24 Set 2014
Datas e Horários
terça e quarta ↣ 21h30
Preço
14€ / Com desconto 7€
Menores de 30 anos 5€
Duração
60 min
Classificação
M/16
Local
Palco da Sala Principal

Sinopse

Partindo de Massa e Poder, livro de Elias Canetti de 1960, De repente fica tudo preto de gente investiga a massa humana enquanto multidão de singularidades. A massa humana é uma aparição tão enigmática quanto universal, que, de repente, se forma onde antes nada havia. Espectadores e intérpretes partilham o espaço, lugar de combate e resistência. Sob a forma indistinta da massa, coabitam diferenças e o corpo torna-se lugar de encontros e de possibilidades. Marcelo Evelin coreografa o público, expondo-o aos movimentos imprevisíveis dos bailarinos e conduzindo, assim, uma experiência sensorial inédita e fascinante.

Figura emblemática da dança brasileira, Marcelo Evelin é coreógrafo, investigador e intérprete. Trabalha em Amesterdão há mais de 20 anos e há oito que se divide entre a Holanda e o Brasil, onde fundou o Núcleo do Dirceu, plataforma de artistas contemporâneos independentes que coordenou até meados de 2013. Regressa ao Teatro Maria Matos depois de aqui ter apresentado Matadouro, um espetáculo inesquecível sobre o Sertão brasileiro.

DIGRESSÃO

 

2014
/ Malta Festival, Poznan, Polónia, 20-21 Junho
/ Festival TransAmériques, Montréal, Canadá, 1-3 Junho
/ Spring Performing Arts Festival, Utreque, Países Baixos, 16-17 Maio
/ Festival Bo:m, Seul, Coréia do Sul, 1-3 Abril
/ LIG Arts Platform, Busan, Coréia do Sul, 29 Março
/1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, São Paulo, Brasil, 11-13 Março

2013
/ Dance Umbrella, Londres, 11-12 Outubro
/ Kyoto Experiment, 28 Set – 1 Outubro
/ De International Keuze, Roterdão, Holanda, 21-22 Setembro
/ SESC Belenzinho, São Paulo, Brasil, 14-15 Setembro
/ Bienal de Santos, São Paulo, Brasil, 11-12 Setembro
/ Galpão Galboa, Rio de Janeiro, Brasil, 7-9 Setembro
/ Kunstenfestivaldesarts, Les Halles de Schaerbeek, Bruxelas, Bélgica 19-25 Mai0

2012
/ Galpão do Núcleu do Dirceu, Teresina, Brasil, 14-17 Nov
/ Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro, Brasil, 8-11 Nov
/ Panorama Festival/Teatro Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 3-4 Nov

© Sérgio Caddah
© Sérgio Caddah
© Sérgio Caddah
© Sérgio Caddah
© Sérgio Caddah

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Marcelo Evelin/Demolition Inc. 23 Set 2014

Ficha Artística

criação e interpretação:
Andrez Lean Ghizze, Daniel Barra, Elielson Gomes,  Hitomi Nagasu, Jell Carone, Loes Van der Pligt, Marcelo Evelin, Márcio Nonato, Regina Veloso, Rosângela Sulidade, Sérgio Caddah, Sho Takiguchi, Tamar Blom, Túlio Rosa e Wilfred Loopstra

coprodução:
Festival Panorama, Kyoto Experiment com o apoio de Saison Foundation e Kunstenfestivaldesarts

apoio:
Theater Instituut Nederland (TIN) e Performing Arts Fund NL

difusão internacional:
Materiais Diversos

fotografia: Sérgio Caddah

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