Lâminas
Bios
Pedro Tudela
Nasceu em Viseu, em 1962, vive e trabalha no Porto, onde estudou Pintura na Escola Superior de Belas Artes. Ainda enquanto estudante cofundou o Grupo Missionário e organizou exposições nacionais e internacionais de pintura, arte postal e performance. Foi autor e apresentador dos programas de rádio escolhe um dedo e atmosfera reduzida na xfm. Em 1992, funda o coletivo Mute Life Dept., quando envereda pela produção sonora. Expõe individualmente desde 1981 e trabalha em cenografia desde 2003. Encontra-se representado em museus, coleções públicas e particulares. É professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Miguel Carvalhais
Nasceu no Porto em 1974. Tem desenvolvido intensa atividade musical desde os anos 1990, em projetos como zzzzzzzzzzzzzzzzzp! (1991-2002), @c (2000-), [des]integração (2002-2003), Pedra Contida (2013-) e, mais raramente, a solo. É professor de design na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
@c
Tudela e Carvalhais colaboram no projeto @c desde 2000. Usando o computador como principal ferramenta musical, compõem, apresentam-se em concerto, criam música para audiovisuais, para teatro, ou para instalações sonoras. Até à data lançaram mais de duas dezenas de edições em várias editoras e formatos, tendo apresentado o seu trabalho em alguns dos principais palcos europeus. A colaboração regular de ambos não exclui encontros criativos com outros músicos e artistas, sendo a mais frequente destas com a artista digital austríaca Lia, com quem trabalham desde 2000. Registaram também encontros com, entre outros, Aki Onda, André Rangel, Angelica V. Salvi, Carlos Zíngaro, Drumming ensemble, Ephraim Wegner, Gustavo Costa, João Pais Filipe, Pierre Alexandre Tremblay, Pure, Raymond MacDonald, Ricardo Jacinto, Stephan Mathieu ou Vitor Joaquim. Em 2003 criaram a editora Crónica, originalmente uma plataforma para um pequeno grupo de artistas portugueses, que se foi expandindo e afirmando como uma das mais relevantes editoras europeias de música experimental.
Angelica V. Salvi
Angelica é uma harpista especializada em improvisação, música contemporânea e experimental. Como solista tem colaborado com compositores como Takayuki Rai, Kaffe Matthews ou Joseph Waters, improvisadores como Butch Morris, Evan Parker ou Han Bennink e diversos ensembles de Música Contemporânea como Insomnio, Modelo 62, BrokkenFabriek ou Remix Ensemble. É professora de harpa do Conservatório de Música do Porto e trabalha em vários projetos multidisciplinares.
João Pais Filipe
Baterista, percussionista e escultor sonoro do Porto. O seu percurso enquanto músico é caracterizado pela abordagem a uma grande amplitude de estilos e linguagens, em bandas como os Sektor 304, HHY & The Macumbas, Unzen Pilot e Pedra Contida, ao mesmo tempo que mantém uma atividade regular no universo da música improvisada, tendo participado em inúmeros projetos ao lado de nomes como os de Fritz Hauser, Evan Parker, Carlos “Zíngaro” e Rafael Toral. João Pais Filipe desenvolve, complementarmente ao seu trajeto como músico, um trabalho de construção de gongos, pratos e outros instrumentos percussivos de metal, através do qual explora tanto as propriedades acústicas destes objetos como a sua potencial dimensão escultórica e imagética.
joao-pais-filipe.tumblr.com
Ricardo Jacinto
Músico e artista plástico concentrando-se principalmente na relação entre som e espaço. Desde 1998 tem apresentado o seu trabalho em exposições e concertos em Portugal, Europa e América do Sul. Como violoncelista tem trabalhado essencialmente no campo da música experimental e improvisada. A sua discografia está editada pela Clean Feed, Creative Sources e Shhpuma Records. É atualmente investigador no Sonic Arts Research Center (Queen’s University Belfast).
Folha de Sala
A colaboração com outros músicos é experiência frequente para os @c. Pedro Tudela e Miguel Carvalhais partilharam muitas vezes palcos com formações de dimensão variável, quase sempre em contextos de improvisação, tendo registado muitos desses encontros e posteriormente utilizado algum desse material na composição de várias peças. As gravações de excertos de performances instrumentais tornaram-se para os @c materiais de trabalho tão frequentes como as gravações de campo ou outros sons concretos ou sintéticos de que a sua paleta se forma.
O processo que Carvalhais e Tudela desenvolveram em 2014, durante a criação da banda sonora para a peça de teatro de marionetas Agapornis, e a subsequente composição do álbum Three-Body Problem (editado em 2016), embora ainda envolvesse outros músicos, foi contudo bastante diferente. Trabalhando em estúdio com convidados solistas, foram gravadas sessões com o propósito explícito de virem a ser utilizadas como pontos de partida e como matéria-prima, para a composição. Numa fase final do processo, os convidados foram de novo envolvidos, chamados agora às composições para contribuírem diretamente para a sua forma final. Este processo conduziu a que as peças de Three-Body Problem se desenvolvam como panoramas complexos com múltiplas escalas, como contínuos de som e texturas que nascem, se desenvolvem e multiplicam, mas que conseguem evitar o excesso e a dispersão, no turbilhão de uma morfologia em transformação continua.
Foi este processo de trabalho que esteve na origem da criação do novo espetáculo Lâminas. Foram realizadas sessões de gravação com três convidados: Angelica V. Salvi em harpa, João Pais Filipe em percussão e Ricardo Jacinto em violoncelo. Os materiais gravados foram utilizados como pontos de partida e matéria-prima sonora para as peças que, compostas para computadores e instrumentos, serão realizadas e completadas ao vivo por novas performances destes mesmos convidados.
Lâminas desenvolve-se a partir de duas ideias fundamentais, a justaposição e o corte. Cada parte do espetáculo promove diferentes encontros, justapondo convidados e @c, diferentes timbres, técnicas instrumentais, posições variáveis de cada um dos músicos na estrutura da composição, etc. A composição alimenta-se depois das tensões entre estas forças, e desenvolve-se em cinco partes de duração regular, que são organizadas numa macro-estrutura simétrica (A, B, A, B, A) pontuadas por cortes, e marcadas por rimas internas e simetrias estruturais.
Sinopse
Operando do Porto desde a sua criação em 2000, os @c têm criado um corpo de trabalho notável que tem garantido álbuns, concertos e instalações sonoras de importância vital no nosso panorama artístico. A frequência dos convites para actuarem fora de portas sanciona igualmente a relevância das suas obras num contexto internacional bem mais alargado e exigente. Three-Body Problem, a última criação em disco, é o fruto da transformação de uma banda sonora para teatro de marionetas, e caracteriza-se pela inclusão de um leque alargado de músicos convidados que abrem o campo de interações possíveis entre a electrónica e o mundo acústico — diálogo cada vez mais atraente para o trabalho de @c, seja em dispositivo musical ou expositivo, dentro ou fora do palco. É a partir de e dentro destes largos parâmetros que Miguel Carvalhais e Pedro Tudela respondem a um convite do Teatro Maria Matos, propondo um concerto de conceitos amplos, com som e visuais circulantes, mostrando como o mundo eletroacústico de @c pode ser feito de muitas colaborações e vozes, explicando aos nossos sentidos como ele se movimenta, contagia e multiplica.