Secret rhythms
Sinopse
Continuamos todos a gostar de acreditar que existe um bonito mistério na arte de Jaki Liebezeit. O que faz com que a sua bateria, desde os dias dos Can, seja tão enigmática e hipnotizante? A falta de resposta deve-se, sobretudo, à contínua ambivalência do seu ritmo. É, simultaneamente, um postulado da perfeição e rigidez, e no entanto devolve-nos um groove contagiante; parecia perfeito para o psicadelismo dos anos 70, mas soube apoiar contagiantemente as canções e a pop dos Can; parece querer emular a estratégia de uma máquina que não erra mas de lá sopra o vento quente das músicas eternas de África. Foi esta a virtude que Burnt Friedman procurou para este projecto a dois, até porque também ele é um esteta irrequieto, centrado na electrónica, mas com tentações de se deixar alienar pela soul, pop, dub ou jazz. Juntos convocam mantras de alta-definição, imersos em detalhes sempre em agitação, animados pela taquicardia rítmica de Liebezeit. “Secret Rhythms” (“Ritmos Secretos”) tem sido o nome constante com que têm apelidado os seus discos porque, possivelmente, querem dizer-nos que nem tudo é aquilo que ouvimos e vemos e talvez haja outras coisas a descobrir quando exigimos algo mais.