Michel Schweizer
Bio
Michel Schweizer
Não é um biólogo molecular. Não estudou em Berlim, Paris ou Nova Iorque. Reúne e organiza comunidades provisórias. Propõe acções no palco próximas da realidade. Diverte-se com os limites e desafios envolvidos nas relações baseadas na arte, política ou economia. Afirma ser um organizador. Rodeia-se de prestadores de serviços. Após ter frequentado o Conservatório de Arte Dramática, Schweizer embarca em múltiplas experiências nos campos da arte e da dança contemporânea na década de 80. Em 1995, cria um grupo, La coma e cria uma peça com o singular título: Assanies 1 e 2 (1996 e 1997). Em 2000-2001 KINGS é criado e SCAN (More Business – More Money Management) segue em 2003. Criada em 1995 e, ironicamente apelidada de Profit Center em 2003, La coma mantém uma modesta identidade cultural baseada na Aquitaine que tem como objectivo apoiar uma diversidade de práticas artísticas (criações / performance / workshops …) com o intuito de desenvolver com o público a redefinição da noção de “lucro”. Com isto em mente, durante os últimos 12 anos, La coma tem proposto um trabalho que, no actual clima social, adopta uma atitude de resistência política, pois não poderia considerar fazer de outra forma. Tornar possível pensar colectivamente sobre a necessidade de um espaço público onde o tempo passado beneficiaria de uma experiência cultural, social e/ou artística significa considerar toda a acção artística uma experiência emocional (social) e estética (artística) capaz de despertar em todos nós a vontade de desejar só por desejar. Inclassificável, embora considerado um coreógrafo, Michel Schweizer propõe criações em que, cenas teatrais, arte contemporânea e uma determinada versão do “negócio empresa”, se reúnam. As suas declarações radicais apresentam uma realidade humana e social que com pessimismo admite o inadmissível: que as instituições culturais e obras de arte são apenas uma questão de “negócios”. Ele evita cuidadosamente trabalhar com actores profissionais ou bailarinos e convida os seus intérpretes “prestadores de serviços” que ele “des-localiza” como, um pugilista profissional, cantor de cabaré, um cão ou um formador, bem como, um psiquiatra, etc. Ele designa-se “gerente”. Foi “artista associado” no Espace Malraux – Scène Nationale de Chambéry et de la Savoie, nos últimos 3 anos (2005-2007) e actualmente é “artista associado” no Le Cuvier – Centro de Desenvolvimento Coreográfico em Artigues-près-Bordeaux, durante o período 2008-2010. As suas peças evoluem num contexto que ele chama “o exterior”, isto é, uma sociedade com uma lógica defeituosa de merchandising.
co-apresentação alkantara festival, festival Temps d’Images e Teatro Maria Matos