Urândia Aragão
Utopias
Bio
Urândia Aragão é uma artista portuguesa interdisciplinar na área dos media. Formou-se em Design e Tecnologias Gráficas, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD), em 2011, e em Design de Interfaces Multimédia, na Universitat Pompeu Fabra, de Barcelona, em 2005. Entre 2006 e 2012 investiu na aquisição de conhecimentos através das seguintes formações: Pesquisa em Dança e Teatro na EIRA/Lisboa; Composição em Tempo Real na Re.al/Lisboa e concluiu o PEPCC – Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica, do Fórum Dança/Lisboa. Urândia tem desenvolvido trabalhos a solo e em colaboração desde 2005. A sua pesquisa procurar articular diferentes elementos (desenho, escrita, fotografia e vídeo) com o trabalho do corpo; Urândia explora as interfaces da performance enquanto ferramenta de pesquisa de novos modelos de relação e experiências colectivas. Atualmente dedica-se à pesquisa e compreensão dos direitos humanos e não humanos, pensamento mítico-mágico e ecologia humana (Alkantara 2016/17). Foi coordenadora do projeto de pensamento crítico BWARE – um projeto artístico e pedagógico desenvolvido entre o Alkantara e a Escola Artístico António Arroio, moderado pelo grupo de artistas AWARE (Artists Watch, Reflect and Exchange) no Alkantara Festival 2016. Foi convidada para participar no projeto 1Space (KVS – Bruxelas, Exodus – Ljubljana e Alkantara – Lisboa 2015/17) O seu trabalho é apresentado em Portugal e no estrangeiro.
Trabalhos anteriores: Fio condutor (Alkantara Festival 2014); as unidades mínimas do sensível com Alina Bilokon e Léa Rault (Festival Circular 2013); Slight Evidence of Something com Maria Varbanova (Forum Dança 2011); upon four feet, an horizontal planecom o colectivo MESA (Teatro Turim/Teatro Maria Matos 2010); O Tempo das coisas com Cátia Leitão (Ponto de Encontro 2011); Interface (eira33 2010); Toni Banza com David Leitão (Exposição PARTES2 2008); Albert (Exposição K-Fusion, Seul-Barcelona 2005); Chuck-in-Love com Maria Gallet (MOOG-Barcelona 2005);
Colaborações: Monster de Carlota Lagido 2009/10, Histórias do meu lixo de Carlota Lagido 2011, One-More-Ti-Me by Marine Pisani 2011; ATLAS de Ana Borralho e João Galante 2011, Mais pra menos que pra mais de Vera Mantero e convidados 2013; Canções i Comentários e Agora Faz Tu! de Rui Catalão 2014 e 2016.
Sinopse
Todo. Ver todo. Todo o indivíduo. Ver indivíduo. Ver importância de indivíduo. Ver uso de indivíduo. Todo o indivíduo tem. Ver tem. Ver importância de tem. Ver uso de tem. Todo o indivíduo tem direito. Ver direito. Ver importância de direito. Ver uso de direito. Todo o indivíduo tem direito à liberdade. Ver liberdade. Ver importância de liberdade. Ver uso de liberdade. Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião. Ver opinião. Ver importância de opinião. Ver uso de opinião. Todo o indivíduo tem direito à liberdade de expressão. Ver expressão. Ver importância de expressão. Ver uso de expressão.
A peça que revelou o trabalho de Urândia Aragão, Fio Condutor, era uma sucessão de histórias captadas no espaço público a que os próprios espectadores davam corpo e voz. Partindo de uma investigação sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em Artigo 19, a sua nova peça para palco, as histórias estão contidas em vozes, que estão contidas em caixas, onde se encontram altifalantes que vibram como corpos: a ideia de voz e de corpo confunde-se, apontando para um sentido de humanidade, em que o próprio corpo humano está ausente. Há uma rede de cabos a ligarem altifalantes que estabelecem conexões entre testemunhos de personagens que, tendo uma voz para expressar-se, não estão presentes, e que advogam um sentido de pertença a lugares que lhes estão proibidos. Estas vozes de indivíduos reais, que relatam uma vida sonegada, estão em contraste com um diálogo entre vozes sintéticas, fabricadas por computador, e que testemunham vidas virtuais, apenas tornadas possíveis pela linguagem e pela tecnologia. Mais do que questionar o sentido do que entendemos por “vida humana”, ou “direitos humanos”, Artigo 19 constrói um cenário em que se sobrepõe quotidiano e estranheza, citando um imaginário de ficção científica já habitado pela vida contemporânea, com as suas relações virtuais e diferidas, onde o sentimento de estar vivo é gerado por operações abstractas. A própria dimensão política da palavra “refugiado” parece dissolver-se nas mais diversas formas de existência – como se todas elas estivessem refugiadas da sua própria realidade.

