Ana Borralho & João Galante
Bios
ANA BORRALHO & JOÃO GALANTE
Conheceram-se enquanto estudavam artes plásticas (AR.CO-Lisboa). Como atores/cocriadores trabalharam regularmente com o grupo de teatro Olho. Trabalham em parceria desde 2002 (performance, dança, instalação, fotografia, som, videoarte).
Das peças criadas em conjunto destacam: Mistermissmissmister, I love you, sexyMF, No Body Never Mind, I put a spell on you, Meatphysics, Room, World of Interiors, Gritos de Artistas, Untitled, Still Life, Atlas, Linha do Horizonte e Art Piss (on money and politics).
Entre setembro e novembro de 2010, o Teatro Maria Matos apresentou uma pequena antologia das suas performances sob o título O Mundo Maravilhoso de Ana Borralho & João Galante.
Desde 2004 que os seus trabalhos são apresentados em diversos Festivais Internacionais em Portugal, França, Espanha, Suíça, Escócia, Brasil, Emiratos Árabes Unidos, Japão, Alemanha, Áustria, Reino Unido, Itália, Eslovénia, Eslováquia, República Checa e Finlândia. São cofundadores da associação cultural casaBranca, diretores artísticos do festival de artes performativas Verão Azul e coprogramadores do festival de música eletrónica Electrolegos, ambos em Lagos, no Algarve.
Folha de Sala
Em novembro de 1974, aterrou em Lisboa um grupo de investigação formado por cientistas de vários países europeus. O líder desse grupo era o obscuro e controverso psicólogo Solomon Hoffman. Longe das atenções das grandes universidades, este grupo realizou uma experiência a que chamou Hier sind wir. Sabe-se que, numa noite, foi reunido um grupo de voluntários extremamente heterogéneo num teatro de Lisboa. Os voluntários acreditavam ir assistir a um espetáculo e não tinham qualquer conhecimento acerca da experiência que iria ser realizada. Sabe-se também que uma série de cassetes foi usada para transmitir instruções aos voluntários-espectadores. O que terá realmente acontecido no decorrer da experiência permanece, desde então, envolto num manto de mistério. Há quem defenda que o desfecho foi violento e inesperado, mas também quem acredite que se tratou apenas de um fracasso. Julga-se que, antes de abandonar Portugal, Solomon Hoffman terá destruído quase todos os registos da experiência e desmantelado o grupo de investigação.
Quatro décadas mais tarde, os artistas Ana Borralho e João Galante tomaram conhecimento deste episódio durante uma digressão em Basileia. A peça que apresentavam, Atlas, conta com a participação de cem pessoas da cidade onde se exibe. Em Basileia, uma dessas pessoas era uma mulher que se identificou como sendo a neta de Solomon Hoffman e que acabaria por revelar aos artistas o que se acredita ser a série de cassetes utilizadas durante a experiência. Agora, em Aqui estamos nós, Ana Borralho e João Galante usam o conteúdo dessas mesmas cassetes para tentar reconstituir com o público o que se terá passado nessa noite de Novembro de 1974, num teatro de Lisboa.
Tiago Rodrigues
Estórias da História
O palco é um recoletor de expectativas, impasses e constatações de uma plateia que confere carácter de verdade aos jogos de encenação. A verdade é alimentada se os membros da plateia forem convocados para o palco e, por sua vez, continuarem repetidamente a convocar outros membros a contribuir para o desfecho de uma estatística que desvele a noção contemporânea de “bem comum”. Inseridos no espaço cenográfico, os dados estatísticos dão azo a estórias que, conforme se desenrolam, vão-se apropriando da História, responsável pela atribuição de sentido às ficções erigidas no presente.
Quando a supremacia do presente comparece num palco onde alguém, ninguém e todos são termos equivalentes e reversíveis, acaba por se imiscuir na perpétua repetição de um ciclo desde sempre contemplado no compêndio das ilusões.
O palco é uma terra de ninguém que devolve à plateia a tessitura de uma ficção inscrita num futuro sempre remoto; ainda assim encarada pelos espectadores como produto do seu livre arbítrio. A soberania da plateia reproduz-se num enredo em que alguém existe através da morte de outrem que, instantes antes, permanecia como espectador. Pela sucessão infindável de tomadas e destituições de poder, o público fica saciado da sede de verdade, ao sacrificar a sua verdade em nome da polis, em nome da História.
Fernando J. Ribeiro
Menores de 30 anos: 5€
Sinopse
Em novembro de 1974, aterrou em Lisboa um grupo de investigação formado por cientistas de vários países europeus. O líder desse grupo era o controverso psicólogo Solomon Hoffman. Longe das atenções das grandes universidades, este grupo realizou uma experiência a que chamou Hier sind wir. Sabe-se que, numa noite, reuniu-se um grupo heterogéneo de voluntários num teatro de Lisboa que acreditavam ir assistir a um espetáculo e não tinham qualquer conhecimento acerca da experiência que iria ser realizada. Sabe-se também que uma série de cassetes foi usada para transmitir instruções aos voluntários-espectadores. O que terá realmente acontecido no decorrer da experiência permanece, desde então, envolto num manto de mistério. Há quem defenda que o desfecho foi violento e inesperado, mas também quem acredite que se tratou apenas de um fracasso. Julga-se que, antes de abandonar Portugal, Solomon Hoffman terá destruído quase todos os registos da experiência e desmantelado o grupo de investigação.
Quatro décadas mais tarde, os artistas Ana Borralho e João Galante tomaram conhecimento deste episódio durante uma digressão em Basileia. A peça que apresentavam, Atlas, conta com a participação de cem pessoas da cidade onde se exibe. Em Basileia, uma dessas pessoas identificou-se como sendo a neta de Solomon Hoffman e acabou por revelar aos artistas o que se acredita ser a série de cassetes utilizadas durante a experiência.
Agora, em Aqui estamos nós, Ana Borralho e João Galante usam o conteúdo dessas mesmas cassetes para tentar reconstituir com o público o que se terá passado nessa noite de 1974.
