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Adriana Sá, Tó Trips e John Klima Timespine Informações sobre o Evento
05 Mar 2014
Datas e Horários
quarta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal com bancada
Música

Adriana Sá, Tó Trips e John Klima
Timespine

Bios

Bios

Adriana Sá
Desde 1995 que Adriana Sá se tem dedicado em exclusivo aos seus projetos artísticos, a solo e em colaboração com outros artistas, graças a bolsas, apoios e comissões de diversas instituições nacionais e internacionais. Depois de um percurso académico, iniciou recentemente um doutoramento em arte e tecnologias computadorizadas, concretizando um vasto interesse na ligação da música a outros meios e disciplinas artísticas. Com John Klima desenvolveu um software para visualização 3D do som da sua zither. Além de uma grande lista de festivais em todo o mundo por onde tem atuado, Adriana Sá também tocou ou expôs na Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest e Serralves, em Portugal; Experimental Intermedia Foundation e PS1/MoMa nos Estados Unidos; Arteleku, em Espanha; ICA — Institute of Contemporary Arts, em Inglaterra; e ACAC — Aomori Contemporary Art Center, no Japão.

John Klima
Apesar de ser um profundo conhecedor das máquinas e do seu software, John Klima é um artista que privilegia a estética lo-fi, mesmo no seu contexto mais vanguardista. Cria e constrói sintetizadores que recuperam o som primitivo da eletrónica através da sua Scratch Built Sound Studios. Além de ser um artista visual, com obras expostas em diversas instituições em todo o mundo, como o Whitney Museum de Nova Iorque ou o Brooklyn Museum of Art, Klima tem também um passado musical no seu país natal — foi baixista, entre 1984 e 88, da banda que acabaria por dar origem aos The Presidents of the United States of America. Em Lisboa, tem-se integrado com facilidade na cena local onde, para além de Timespine, chegou a fazer parte da primeira encarnação do Carro de Fogo de Sei Miguel.

Tó Trips
Em 1985, com 19 anos, Tó Trips leva a sua banda de liceu Amen Sacristi ao Rendez-Vous, iniciando um percurso irrequieto e vencedor no rock nacional. Na viragem para a década seguinte, integraria os Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre, a convite de Jorge Ferraz, mas uma ida a Inglaterra inspira-o para formar Lulu Blind em 1993, com quem percorreria todos os festivais de Verão e ainda algumas notáveis primeiras partes, como a dos Sonic Youth no Campo Pequeno. Seguir-se-iam os Tysons e Hi Fi Jo e, em 2003, com Pedro Gonçalves, nascem os Dead Combo. É com esta banda que consegue a sua maior visibilidade, tocando com músicos de renome como Marc Ribot, Kid Congo ou Howe Gelb. Escreveu bandas sonoras para filmes e coreografias e, em 2008, grava o seu único disco a solo Guitarra 1966. 

Folha de Sala

Folha de Sala

Eu e o Tó Trips conhecemo-nos desde os tempos da Escola António Arroio (1986, talvez). Encontrámo-nos por acaso quando eu andava a organizar o Sabaduo, no bar A Vizinha na Calçada da Bica, e perguntei-lhe se ele queria tocar. Ele disse logo que sim, se fosse em duo comigo.

Ele veio ao meu estúdio e, qual não foi a minha surpresa, tocámos de modo mágico, sem que ele se tivesse melindrado com o meu sistema de afinação — a primeira coisa que o Tó fez foi justamente mudar de afinação de acordo com a minha (agora chamam-lhe “afinação Adriana”), que anda à volta de Bs, F#, D, fora da grelha dos tons e meios tons.

O André Gonçalves ouviu a gravação uns dias mais tarde e adorou, oferecendo-se para nos gravar. O John também adorou e anunciou que também queria estar na “banda”. E assim começámos o trio. Curiosamente, depois de tantos anos, o John resolveu-se a aceitar a minha afinação em vez de protestar por eu não usar uma standard. Tocámos algumas vezes em trio e, em dada altura, fomos a casa do André para gravar; gravação essa que depois enviei ao Travassos. Ele propôs que fizéssemos um disco e nós dissemos que sim, mas como não nos encontrámos durante alguns meses, ficou tudo em “águas de bacalhau”.

Entretanto, eu e o John trabalhámos num duo para o qual fiz uma partitura gráfica e tocámo-la no Sabaduo também. O meu sistema de notação envolve um desenho e uma estrutura geral de sequenciação (sem tempos-relógio), variações de densidade e o tipo de vocabulário de cada um. Tínhamos combinado com o Tó começarmos a trabalhar para o disco nessa semana (início de janeiro de 2013). Quando ele apareceu, mostrei-lhe o score da minha peça com o John, sugeri-lhe que procurasse um modo de entrar e ele começou a criar vocabulário específico para ela. Alguns dias depois, comecei a sentir-me um pouco desconfortável: era estúpido estar a desafiá-los para explorar os territórios da minha música sem eu própria “arriscar” encontrar um modo de ir ao encontro dos deles. Como a primeira peça era de meia hora, fiz uma score para outra meia hora em que lhes dava protagonismo. Eles não me tinham dito nada, mas o entusiasmo cresceu, e com ele um espírito de comunhão, de aventura comum. Marcámos com o Quim do Namouche uma gravação para o dia 29 de janeiro e, durante 4 semanas, tocámos muitas vezes cada uma das peças; gravávamos sempre, ouvíamos, discutíamos, tocávamos, ouvíamos, discutíamos.

Enquanto a primeira peça cresceu a partir do meu duo anterior com o John, a segunda peça começa com Blistering Cowboy/Excite, uma expressão do John alusiva ao estilo pessoal do Tó; eu contenho-me enquanto eles evocam a doçura suave do cowboy; e, quando está quase a ficar no ponto, começo a espicaçar, respeitosamente primeiro, depois numa torrente que acaba num uníssono em Excite. Retiro-me e é tempo dos rapazes se divertirem: o John num solo rápido, em espiral, e o Tó em percussão — é altura de dançar, estamos num bar na América dos anos 30. Eu alinho no espírito com o arco até que — “já chega, meninos” —, desalinho o swing com Hungarian Folk.  Para terminar, em Swimming suspendemos todas as nossas individualidades, retiramos os egos para o “sem intenção” das filosofias orientais; formalmente, Swimming é o início da Piece #1 narrado na 3.ª pessoa, e portanto um ciclo que se completa.

No dia da gravação, tocámos a Piece #1, escutámos e tocámos novamente. Fomos almoçar e depois tocámos a Piece #2 duas vezes, sem a escutar. No dia seguinte, comecei a trabalhar na mistura. Quando achei que a Piece #1 estava fixe, eu e o John convidámos o Sei Miguel para ouvir — ele e a Fala são talvez as pessoas com quem mais gosto de falar de música. Disse coisas lindas e profundas sobre a nossa música e sentimo-nos orgulhosos. Quando a Piece #2 ficou também pronta, fui entregar as duas misturas ao Quim para ele masterizar. Fez um primeiro master e ofereceu-se para remasterizar, se fosse necessário. Ele é super. Tirei notas para alterações, o Quim implementou-as, remasterizou tudo três vezes. Et voilá: o disco Timespine ficou pronto.

 

Adriana Sá

05 Mar 2014
Datas e Horários
quarta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

No meio da calçada da Bica, em Lisboa, Adriana Sá tomou a iniciativa de organizar o Sabaduo como um evento semanal em que músicos dialogam em duo com outros músicos. Foi numa destas sessões que atuou pela primeira vez com Tó Trips ― conhecendo-se há décadas, foi um reencontro que prosseguiu em estúdio. Lá, e de um modo informal, Tó Trips desafiou-se a encontrar-se na complexa escala musical de Adriana, fora da grelha de tons e meios-tons. O resultado foi, nas palavras de ambos, “magia”, que também contagiou John Klima, levando o duo a transformar-se em trio e a editar o seu álbum de estreia na Shhpuma ― com a colaboração do Teatro Maria Matos. O mapa de Timespine assenta nas partituras gráficas feitas por Adriana Sá, que incluem um desenho sugestivo de texturas e densidades, assim como indicações sobre estrutura, sequenciação e vocabulário. O resultado subtrai-nos o fôlego: música circular, profundamente hipnotizante, que se desenvolve numa narrativa vibrante que cria ligações subtis entre a folk de câmara e a composição moderna, deixando os movimentos entregues aos desígnios da improvisação. Música de encantos infinitos que terá ainda, no nosso palco, uma dimensão visual, fruto de um software reativo desenvolvido por Adriana Sá e John Klima.

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Timespine 05 Mar 2014

Ficha Artística

zither, sampler:
Adriana Sá

dobro, percussão:
Tó Trips

baixo:
John Klima

3D software:
Adriana Sá e John Klima

imagem:
Vera Marmelo

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