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A Winged Victory For The Sullen Informações sobre o Evento
03 Dez 2015
Datas e Horários
quinta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Informação Adicional

em colaboração com o GNRation e o festival MADEIRADiG

Música

A Winged Victory For The Sullen

Folha de Sala

Folha de Sala

Talvez este seja o momento em que podemos revelar um pequeno segredo dos nossos bastidores, agora que o concerto de A Winged Victory For The Sullen (AWVFTS) está à nossa frente. A noite de hoje esteve para acontecer em duas ocasiões nos últimos anos, mas por duas vezes acabou por ser adiada por razões maiores. E as grandes razões foram, por um par de vezes, encomendas e prazos urgentes que a vida de Hollywood impõe aos seus trabalhadores. Se Adam Wiltzie tem uma tangente ao mundo dos filmes, Dustin O’Halloran tornou-se em poucos anos um nome forte para compor bandas sonoras para cinema, sobretudo depois de Sofia Coppola o ter convidado para Marie Antoinette. Mas acabaria por ser a TV – ou melhor, o streaming da Amazon -, que lhe daria os louros: Transparent, uma das séries mais faladas de 2015, foi a sua hipótese para, no Verão passado, levar um Emmy para o seu estúdio. Ganhou e possivelmente virão mais encomendas e prazos urgentes.

Segundo as biografias de ambos, Dustin e Adam conheceram-se em 2007, em Bolonha, quando Adam acompanhava Mark Linkous e os seus Sparklehorse. Da imediata amizade surgiu a oportunidade de prolongarem os seus afetos para a música: Lumiére, de Dustin O’Halloran, foi o primeiro trabalho conjunto, e ficaria a promessa de criarem algo a quatro mãos. Adam, ex-Stars of The Lid, criaria o lado orquestral e ambiental; Dustin forneceria a estrutura e a melancolia. A Winged Victory For The Sullen ocupa assim um lugar de destaque na expressão neoclássica, onde novas formas musicais deformam velhas ideias de composição, criando um híbrido frágil mas de resultados comoventes. Dentro desta divisão musical, esta é uma das colaborações mais fortes e criativas dos últimos anos, embora os dois músicos continuem surpreendidos com a longevidade e aceitação dos Winged Victory pela imprensa e pelo público. À Drowned in Sound falam dessas dúvidas existenciais. Diz Adam: “Tivemos uma ótima experiência quando gravámos o primeiro álbum e depois fomos em digressão. Não nos conhecíamos há tanto tempo assim. Nunca senti algo como “estamos destinados a fazer música juntos para toda a vida” mas estamos a gostar muito de saborear o momento. Vivemos próximos um do outro: Bruxelas e Berlim não são vizinhas mas podemos meter-nos num avião tão rapidamente que parece que uma é ao lado da outra. A maior parte dos amigos pensam que moramos na mesma cidade. Quando estou em Bruxelas perguntam-me ‘onde está o Dustin?’”. “Quando começámos, queríamos apenas escrever um par de temas, mas as coisas fluíram tão bem que percebemos que tínhamos um álbum inteiro nas nossas mãos”, conta Dustin. “Foi tudo uma série de agradáveis acasos em que seguimos a musa. À medida que íamos compondo o último álbum, estávamos também a compor outras coisas, por isso, desde que a musa nos continue a chamar, vamos fazer discos juntos. Por agora, continua a soar-nos fresco e inspirado. O Adam e eu trabalhamos muito sozinhos, também – e trabalhar com outras pessoas traz muitos desafios -, mas acho que ambos sentimos que estarmos juntos traz-nos coisas que sozinhos não conseguiríamos fazer. Fico perplexo de como isso acontece, mas acontece.”

Depois de uma estreia poderosa em 2011, Atomos é o segundo álbum e representa uma encomenda que tiveram para uma peça de dança de Wayne McGregor. À The Quietus, Dustin traça paralelos entre escrever para artes de palco e o cinema: “Foi a primeira vez que trabalhámos com dança, mas acho que música e dança – como processo – acaba por ser mais natural que música e cinema, por exemplo. Wayne é um incrível colaborador. Ele deu-nos imensa liberdade e os setenta minutos que lhe demos ficaram, basicamente, inalterados. Pudemos utilizar muito mais o espaço – sabíamos que íamos ter imenso espaço e isso era muito importante para nós, pois é tão importante quanto a música e precisamos dele para concretizar o que pretendemos. Nesse sentido, é quase a melhor colaboração visual que se pode ter – e o Wayne confiou imenso no nosso trabalho. Duvido que outros colaboradores ofereçam tanta confiança. Por isso, acho que conseguimos dar muito de nós nesta obra. O Wayne deu-nos algumas inspirações – uma pasta com fotografias e um filme de onde se tinha inspirado -, como pontos de partida, e depois participava com mais ideias, sem nunca se aproximar das composições, sem nunca tentar nos dizer ‘malta, acho que deviam pegar nesta secção e…’, etc. Ele dizia coisas tipo ‘e se vocês entrassem num buraco negro e saíssem do outro lado?”. Tínhamos que pegar nisso e traduzir para música – o que é o modo mais natural de se trabalhar”.

A revista Clash desafiou-os, perguntando se aceitariam fazer uma banda sonora inteira para um filme. Adam responde primeiro: “Bom, o licenciamento é uma parte tão lucrativa do nosso mundo que nunca desdenharia uma oportunidade dessas. Pode ser possível – ‘nunca digas nunca’. Nós trabalhamos muito em bandas sonoras, por isso, se a oportunidade aparecesse para fazermos uma integral… Não sei, acho que nunca penso nisso. Faço isto há 20 anos e a única coisa que aprendi sobre bandas sonoras é que é preciso ter muita sorte, não há um método para nada. Tive um tema dos Stars of The Lid no novo Godzilla e nunca na vida pensaria que um filme do Godzilla precisasse de música dos Stars of The Lid. Mas precisou. As hipóteses disso acontecer novamente? É tão raro”. Dustin responde também: “Trabalho imenso para cinema – não sei se o Adam tem assim tanto desejo de entrar nisso. Ele trabalhou comigo um pouco no Breathe In, com o Guy Pearce e a Felicity Jones. O filme também tinha alguma música do primeiro álbum dos Winged Victory, por isso, acho que já entrámos um pouco nesse mundo. Mas se o projeto certo aparecesse, acho que estaríamos abertos a isso. O desafio com o cinema é a música não estar em primeiro lugar, ao contrário da dança. E nós gostamos de compor sem constrangimentos”.

A presença em palco é preponderante na vida de AWVFTS. Não só precisam dos palcos para expor a sua música como a visibilidade do seu sucesso se vai medindo pelas digressões que fazem e pelas grandiosas salas que frequentam. Desde o início do projeto que os concertos são fundamentais para ambos os músicos norte-americanos. Ao festival Latitude, Dustin revelou que demoraram algum tempo até perceberem como podiam tocar a sua música ao vivo: “Descobrimos que podíamos trabalhar mais as dinâmicas e ficámos muito contentes por funcionar. Era muito complicado colocar todos os elementos do disco num concerto. Tivemos de ajustar coisas, mas quisemos manter-nos fiéis ao espírito da música, embora tivesse de funcionar bem ao vivo, em grande parte graças aos músicos que trazemos da Bélgica”. Adam conclui: “Foi um longo processo encontrar as pessoas que compreendessem o que queríamos fazer com os instrumentos de cordas. Sempre usámos músicos aqui e ali, mas agora que usamos um grupo base de Bruxelas tudo se parece mais com uma banda. Somos sempre os dois, o Dustin e eu, mas especialmente depois de Atomos moldámos uma espécie de bolha com estas pessoas. Tocamos temas do disco mas eles desenvolveram um estilo próprio e nunca conseguiríamos fazer isto tudo sem eles”.

Tudo flui como um rio de som, em que eletricidade e instrumentos acústicos se fundem como se fosse tudo uma pequena orquestra. Sabemos como estes dois mundos são tão imiscíveis, mas Winged Victory tem mostrado como tudo pode acontecer, deixando-nos espantados como algo tão clássico pode conviver com drones hipnotizantes, ou como paisagens ambientais elétricas podem dar tão perfeitamente as mãos a instrumentos tão eruditos. Onde fica a fronteira entre a liberdade da improvisação e a necessidade de coordenar ensembles de cordas? À Quietus, revelam os meandros da sua escrita: “Ainda hoje não sei bem o que faço”, diz Adam. “Sei um pouco de como os elementos se devem interrelacionar. É quase como aprender uma outra língua. Para mim e para o Dustin, vindos de uma sociedade monolinguística, tivemos de aprender uma segunda língua quando viemos viver para a Europa; e, para mim, apreender uma outra língua ajudou-me bastante a agarrar o conceito de notação musical. Fez-me perder um pouco o medo”. Dustin acrescenta: “Felizmente temos instrumentistas de cordas muito pacientes. Neil, Margaret e Charlotte formam o nosso núcleo: têm sido pacientes e ajudam-nos muito a compreender e a ensinar como podemos traduzir as coisas. Tem sido uma relação fantástica porque temos aprendido imenso e fez-nos sentir confiantes. Sentamo-nos para discutir as possibilidades da notação musical e o que cada instrumento consegue executar. Isto é muito valioso porque nem eu nem o Adam aprendemos estas coisas. Quer tenhamos aulas na escola ou não, é sempre preciso experiência e nós sentimos que perdemos algumas etapas durante o caminho até conseguirmos trabalhar com instrumentistas fantásticos”.

É graças a essa vontade permanente de estar em terreno difícil – como uma terceira linguagem que não dominam – que os leva a convocarem um grande ensemble de cordas para os acompanharem em palco na nossa sala. Ao longo de alguns dias de preparação, dirigiram músicos locais profissionais para que a música de A Winged Victory For The Sullen tenha o absoluto esplendor que merece. Uma noite especial também por ser irrepetível.

03 Dez 2015
Datas e Horários
quinta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Informação Adicional

em colaboração com o GNRation e o festival MADEIRADiG

Sinopse

Em agosto deste ano, Dustin O’Halloran e Adam Wiltzie subiram ao palco do Royal Albert Hall, em Londres, com o seu projeto A Winged Victory For The Sullen (AWVFTS). Sala mítica e imponente, mais ainda durante a temporada das BBC Proms e das suas Late Night Proms, simboliza a ascensão fenomenal que a música dos AWVFTS tiveram junto de um público heterogéneo que tanto abraça a melancolia cinemática das composições de Dustin O’Halloran como o ambientalismo experimental dos drones de Adam Wiltzie. O primeiro, que já visitou o Teatro Maria Matos a solo em 2011, é um requisitado e premiado construtor de bandas sonoras (documentários, cinema e televisão, incluindo a celebrada série Transparent que lhe valeu um Emmy em setembro passado), o segundo traz no seu currículo os influentes Stars Of The Lid e uma prolífica carreira em produção e composição para cinema. No entanto, foi a dança que os levou a escrever alguma da melhor e mais aclamada música dos AWVFTS, convencendo-os a editar o segundo álbum, em 2014, com essa banda sonora: Atomos, para uma coreografia de Wayne McGregor. Álbum gravado entre Berlim e Bruxelas, as suas cidades de adoção, com uma ponte técnica em Reiquiavique para uma contribuição de Ben Frost. E agora, também Lisboa se junta orgulhosamente a este percurso: um numeroso ensemble de cordas, especialmente reunido para esta noite, irá expandir a paisagem ambiental neoclássica dos AWVFTS para além do que os nossos sentidos alcançam. Ouvir para crer e sentir.

 

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Material Gráfico Cartaz A Winged Victory for the Sullen 03 Dez 2015

Ficha Artística

guitarra, eletrónica:
Adam Wiltzie

piano:
Dustin O’Halloran

violino:
Margaret Hermant

violoncelo:
Charlotte Danhier

viola:
Neil Leiter

acompanhados por

violinos:
Luís Pacheco Cunha, Raquel Cravino, Rosa Sá, Sílvia Martins e Luís Santos

violas:
Cátia Alexandra Santos e Sara Farinha

violoncelos:
Catherine Strynckx e Rute Pereira

fotografia:
Nick & Chloé

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