Luís Guerra
Biografia
Luís Guerra é um artista português que se expressa principalmente através da dança e do desenho. Estudou dança desde muito novo e completou a sua formação artística e académica no Conservatório Nacional. Em relação ao seu imaginário criativo pessoal, estudou coreografia num curso organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e começou a assinar os seus próprios trabalhos para palco desde 2005. Simultaneamente sempre trabalhou regularmente como bailarino, ator e performer para muitos outros diretores, tendo mantido até hoje em dia uma participação frequente nas peças de Tânia Carvalho. Para lá do mundo da performance em geral, Luís também produz desenhos que reportam claramente para o seu interesse de longa data no urbanismo, geografia e artes decorativas. Para mais informações: www.guerraluis.wordpress.com
Folha de Sala
A tundra é um dos biomas mais ventosos, secos e frios deste planeta. A severidade deste ecossistema convida, muitas vezes, a que abrandemos para nos entregarmos à contemplação. Um local privilegiado para observarmos silêncio interno, para abrandarmos o fluxo da mente.
Nas zonas de tundra as árvores já não conseguem existir e a vegetação é quase sempre rasteira, composta por líquens, musgo, arbustos anões, entre outros. Existem diversas espécies de animais que habitam essas regiões, como por exemplo o boi-almiscarado, a coruja-das-neves, os lemingues, as morsas e os pinguins. A época de florescimento é muito mais reduzida do que em outros biomas e as baixas temperaturas são constantes e prolongadas. A presença humana directa é relativamente reduzida mas existente. A tundra pode ser sub-categorizada em três tipos distintos: a Tundra Árctica, a norte; a Tundra Antárctica, a sul; e a Tundra Alpina, no topo de certas montanhas e cordilheiras.
Este espectáculo é uma homenagem a estes locais. Através de uma coreografia desenhada e não narrativa, é-vos oferecida uma metáfora da magia que as regiões de tundra podem conter e exercer. Convido-vos a assistirem ao espectáculo, se possível, sem demasiadas ideias pré-concebidas e num estado de consciência onde o pensamento racional consiga estar tranquilo – onde as vozes internas sejam anestesiadas temporariamente. Seria incrível se, na verdade, esta noite e em conjunto, conseguíssemos aceder a algo que estivesse para lá do visível, para lá do conhecido. Aceder a espaços mais improváveis do nosso inconsciente colectivo.
Luís Guerra
