Nuno Cardoso/ Ao Cabo Teatro
Sinopse
Depois de Platonov, criação de 2008 considerada pelo jornal Público como melhor espectáculo do ano e merecedora de uma Menção Especial da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, e antes de Três Irmãs, projecto a desenvolver em 2011, A Gaivota é o segundo passo de uma estruturante viagem empreendida por Nuno Cardoso aos textos fundamentais de Tchekov.
Grande paráfrase sobre a criação artística, sobre a emergência de um “novo teatro” além de toda a trivialidade, mas também sobre o desencontro do amor e da vida, sobre os tempos que acabam antes que saibamos quais os tempos que vêm, A Gaivota vive de um elenco de personagens intensas mas desencantadas, inteligentes ao ponto de saberem que o desejo dificilmente se tornará futuro.
Resta compreender a contemporaneidade da abordagem de A Gaivota, num país onde a criação artística é cada vez mais aquilo que se faz com menos, e se possível se faz menos… São, realmente, necessárias “formas novas”. Se não, necessariamente, no modo como se abordam textos fundamentais, pelo menos no modo como se interpelam cidadãos, na consciência de como se exerce um acto de criação que é também um acto de reinvenção das formas de sermos e estarmos juntos.