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E a mulher teve morte quase instantânea Lúcia Sigalho Informações sobre o Evento
14 → 17 Nov 2009
Datas e Horários
sábado 14 a terça 17 Novembro 21h30
Preço
12€ / <30 anos 5€
Local
Sala Principal
Informação Adicional

Espectáculo integrado no festival Temps d’Images

Documentos
Folha de Sala
Teatro

E a mulher teve morte quase instantânea
Lúcia Sigalho

14 → 17 Nov 2009
Datas e Horários
sábado 14 a terça 17 Novembro 21h30
Preço
12€ / <30 anos 5€
Local
Sala Principal
Informação Adicional

Espectáculo integrado no festival Temps d’Images

Documentos
Folha de Sala

Sinopse

Morreu uma mulher às 9h da manhã à porta do infantário onde ia deixar o seu filho de 6 anos. O ex-marido, um polícia a quem já tinha sido retirada a arma, roubou a arma de um colega, deslocou-se 70 km, fez-lhe uma espera, foi directo a eles, arrancou-lhe o filho, disparou dois tiros sobre ela, matou-a e seguiu caminho, de mão dada com a criança. O presidente da Câmara disse, em declarações à imprensa: “A mulher teve morte quase instantânea”. Assim. Não sei mais nada sobre ela, nem o nome, nem a cor dos cabelos, nem se era alegre ou triste, o que levava nos olhos. Mas este apagamento, este esquecimento que a morte lhe trouxe é a morte “matada”. Ela passou a ser “a mulher”, “a mulher” morta. E a memória, a memória dela, passou a ser nada.
No meu país, todas as semanas morre, pelo menos, uma. Todas as semanas há uma mulher morta por um homem que é, foi ou pretendia ser seu namorado, seu marido, seu amante. Todas as semanas, há uma que passa a ser “a mulher”: sem in memoriam, sem rasto nem história, que deixa de existir assim, trocada em números para a estatística.
Mais tarde, descobri que se chamava Amélia… ela chamava-se  Amélia. Mas, até hoje, continuo sem perceber o que é que está a acontecer neste nosso mundo, tolerante, democrático e europeu para as relações íntimas serem o lugar desta tragédia, desta solidão.
 Lúcia Sigalho

Ficha Artística

dramaturgia, pesquisa  e textos
Lúcia Sigalho e Mafalda Ivo Cruz

performers
Deborah Krystal, Vítor Gonçalves e Lúcia Sigalho

luzes
Daniel Worm D’Assumpção

espaço
João Pedro Vale

som
João Lucas e Lúcia Sigalho

colaboração
Nuno Alexandre Ferreira, Zé Peyroteo, Afonso

produção
Sensurround com Dupla Cena

co-produção
Festival Temps d’Images e Teatro Maria Matos

obrigado
Elizabete Brazil, UMAR; Manuel Lisboa, Rui Abrunhosa Gonçalves, Marta Silva, Comissão para a Igualdade de Género, MAF, Toninho, A. Neves, Pips, Sérgio Parreira, Hélder Gomes, Mark Deputter e toda a equipa do Maria Matos, testemunhas que falaram connosco: algumas vítimas, alguns agressores e, sobretudo aos assim-assins.

 

Sensurround é uma estrutura financiada pelo Ministério da Cultura / Direcção Geral das Artes

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