Marlene Monteiro Freitas
Bios
ANDREAS MERK
Nasceu na Alemanha, estudou dança e teatro na Alemanha, Bélgica e Suíça. Tem colaborado com vários coreógrafos e encenadores, atualmente reside entre Berlim e Tel Aviv.
BETTY TCHOMANGA
Nasceu em 1989 e reside em Paris. Entre 2007 e 2009, frequentou o Centre National de Danse Contemporaine, em Angers. Enquanto bailarina, trabalha com Emmanuelle Huynh, Alain Buffard, Raphaëlle Delaunay, Fanny de Chaillé, Gaël Sesboüé, Éléonore Didier e Anne Collod. Desde 2011, trabalha também nas suas próprias criações, frequentemente em colaboração com diferentes artistas.
LANDER PATRICK
Sofre de asma crónica desde que se mudou do Brasil para Portugal em 1989, ano em que nasceu. Foi federado em volleyball para rematar a doença, acabando por se formar em dança. Atualmente mora em Lisboa. Tem vindo a colaborar com pessoas que admira, tais como: Luís Guerra, Tomaz Simatovic, Marlene Freitas, Alejandro Ahmed, Margarida Bettencourt, Jonas Lopes, entre outros. A receção de dois prémios em coreografia na Alemanha e na Sérvia motivaram-no a engajar-se na criação coreográfica em vez trabalhar num call center. Enquanto autor, apresentou e colaborou em produções apresentadas na Europa e América. Vive numa autocaravana com o seu amor e acredita que o vegetarianismo contribuirá para uma prolongada existência do planeta.
MARLENE MONTEIRO FREITAS
Marlene Monteiro Freitas nasceu em Cabo Verde onde cofundou o grupo de dança Compass e colaborou com o músico Vasco Martins. Depois dos estudos em dança na P.A.R.T.S., em Bruxelas, na Escola Superior de Dança e na Fundação Calouste Gulbenkian, desenvolveu um projeto de dança na Cova da Moura, subordinado ao tema não vamos ter aulas de dança, vamos ensaiar. Trabalha regularmente com Emmanuelle Huynn, Loic Touzé, Tânia Carvalho, Boris Charmatz, entre outros. Criou as peças Paraíso — Colecção Privada (2012), (M)imosa (2011), com Trajal Harell, François Chaignaud e Cecilia Bengolea, Guintche (2010), A Seriedade do Animal (2009-10), Uns e Outros (2008), A Improbabilidade da Certeza (2006), Larvar (2006) e Primeira Impressão (2005), obras que têm como denominador comum a abertura, a impureza e a intensidade. É membro do coletivo Bomba Suicida, sedeado em Lisboa.
TOMÁS MOITAL
Natural do Seixal, Tomás Moital iniciou os seus estudos musicais na Banda Filarmónica Timbre Seixalense. Posteriormente, integrou a classe de Percussão da Escola Profissional Metropolitana, entre 2009 e 2012. Atualmente, integra a classe de Percussão na Escola Superior de Música de Lisboa na classe dos professores Pedro Carneiro, Jeffery Davis e Richard Buckley. Participou em diversos concursos, entre os quais se destaca o 1.º prémio no nível médio de música de câmara no concurso Prémio Jovens Músicos. Tem ainda colaborado com diversas orquestras e ensembles, como a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o ensemble mpmp.
MIGUEL FILIPE
Nasceu em 1994, em Santo Isidoro, Mafra, e começou os seus estudos musicais em bateria em 2006. Três anos depois, ingressou na Escola Profissional da Metropolitana na classe de percussão dos professores Marco Fernandes, João Carlos Pacheco, Fernando Llopis Mata, Francisco Sequeira e Miguel Herrera. Atualmente frequenta o segundo ano de Licenciatura em Percussão na classe dos professores Pedro Carneiro, Jeffery Davis e Richard Buckley. Já frequentou diversas masterclasses, festivais e concursos da especialidade. Colabora com diversos agrupamentos e orquestras, de música de câmara e música improvisada, entre outros.
HENRI-BERTRAND LESGUILLIER (COOKIE)
É artista musical, baterista e compositor. Inicialmente autodidata, formando-se depois na C.M.D.L. em 2004, é em torno do jazz e da música improvisada que desenvolve a sua carreira. No âmbito da sua colaboração com coreógrafos (Loic Touzé, Latifa Laâbissi, Marlene Monteiro Freitas), aborda a relação entre a música e a dança, desenvolvendo um universo musical que vai desde o ambiente acústico à música noise.
YANNICK FOUASSIER
Acompanhou trabalhos de coreógrafos como Loïc Touzé, Jennifer Lacey, Emmanuelle Huynh, Claudia Triozzi, Marlene Monteiro Freitas, Cecilia Bengolea, François Chaignaud , Trajal Harrell, Rémy Héritier, Annabelle Pulcini, Deborah Hay, Helene Iratchet e também dos encenadores Vayssière Marie, Eric Didry,Célia Houdart e do compositor Sébastien Roux. Fez ainda uma instalação de luz para a exposição Culture Chanel, no MOCA de Xangai (2011) e o desenho de luz para a exposição Totem et Tatoo, no Centre Georges Pompidou, em Paris (2014).
TIAGO CERQUEIRA
Tiago Cerqueira escreve, produz e interpreta música, centrando a sua atividade no desenho de som e composição para artes performativas, vídeo, televisão, instalação e aplicações multimédia. No âmbito das artes performativas, tem colaborado com vários artistas e companhias internacionais, tais como Ballet Gulbenkian, Bare Bones Dance Company, Companhia Nacional de Bailado, Errol White Dance, Icelandic Dance Theatre, NYDW, Phoenix Dance Theatre, Rui Horta Stage Works, Scottish Dance Theatre, Tanzhaus NRW, Tanztheater Nürnberg e The Göteborg Ballet.
Folha de Sala
de marfim e carne – as estátuas também sofrem é descrito como um baile à sombra de Orfeu e Pigmalião. Estas personagens mitológicas foram um ponto de partida?
O ponto de partida foi a estátua, mais precisamente um baile de estátuas, foi por esta via que cheguei a Orfeu e Pigmalião.
Os bailes são metáforas possíveis para o movimento, e as estátuas para a quietude, a petrificação para a transformação dos humanos em estátuas. Esta última implica um enraizamento no local onde ocorre, o que por sua vez constitui a mais estranha metamorfose ao movimento e a ideia mais contraditória a um baile.
de marfim e carne – as estátuas também sofrem relaciona-se com o mito de Pigmalião, sobre um homem que esculpiu uma estátua, que através do seu desejo, da música e da oferta a Vénus, acaba por animá-la e, finalmente, apaixona-se e casa com ela. Por fim, ele apercebe-se de que ela não é uma mulher, mas uma simples estátua. Este mito é uma transgressão, uma transformação poética do osso em carne, de branco em vermelho, da morte em vida.
De acordo com Ovídio, na sua obra Metamorfoses, a história de Pigmalião desenvolve-se dentro do mito de Orfeu, como uma canção de esperança de ressurreição. Ele canta depois de perder Eurídice, petrificada pelo olhar do marido. É uma história dentro de uma história. Orfeu, o homem que desceu ao mundo de Hades, que esteve na mira das Bacantes, conta-nos uma história de transgressão que desafia a morte e os limites da Terra.
O emaranhamento de ideias, como visibilidade, mobilidade, animação, ressurreição, mecanismo, imagem e o seu duplo, ícone, desejo, encarnação, traz-nos à esfera do hibridismo. Porque os híbridos são aqueles que atravessam categorias, que juntam espécies, que combinam a vida e a morte, tal como as estátuas.
O subtítulo do espetáculo parafraseia o título do filme de Alain Resnais e Chris Marker Les statues meurent aussi (1953). Que relação quiseste estabelecer com o filme?
A peça gira em torno do tema da petrificação e do seu oposto, o movimento. Neste sentido, o filme é impressionante: as relações texto/imagem e música/imagem, o trabalho de enquadramento e iluminação, a crítica à sociedade colonial, entre outros aspetos.
Usei este título como subtítulo da peça, mas em vez de “morrem” coloquei “sofrem”, que em francês tem o duplo sentido de “sofrimento” e estar “a aguardar”. A ideia do sofrimento relaciona-se com a de morte, do filme, mas a ideia de aguardar, de espera, pareceu-me importante em relação a estátuas – elas esperam, pacientemente, numa indecisão entre vida e morte.
As estátuas são seres inanimados ou animados? Ovídeo, em Pigmalião, aponta no sentido da animação, mas no final da história descobre-se que foi um equívoco; A. Resnais e C. Marker apontam pistas mais ambíguas, aspeto que para o nosso trabalho é importante.
De que forma este novo trabalho se relaciona com os anteriores, nomeadamente com Paraíso – Colecção Privada, que apresentaste aqui no Teatro Maria Matos na passada temporada?
Há alguns pontos em comum, nomeadamente com o Paraíso. O choque de materiais heterogéneos, a procura em torno da intensidade; a ideia de paraíso compreendia a ideia de inferno e, agora, a imobilidade compreende a de movimento.
Por outro lado, o de marfim e carne é como que o inverso do Paraíso. A peça é mais « reservada » do que o Paraíso, é de certa forma uma aproximação e uma construção mais abstrata. A performatividade é reservada, mas não tímida – calma na sua intensidade, lenta na sua velocidade, bulímica na sua reserva, eventualmente petrificada, mas móvel.
As tuas criações têm recebido um crescente reconhecimento internacional nos últimos anos. De que forma essa atenção tem contribuído para o teu trabalho?
Continuar a criar peças com equipas maiores e com pessoas com quem gosto de trabalhar; apresentar mais espetáculos em sítios diferentes. Temos encontrado muitas pessoas que acorrem ao teatro à procura de um sentido, mas com muita disponibilidade para estabelecerem um diálogo no plano dos sentidos, dos afetos, o que é afinal o mais importante, além das ideias que estiveram na origem e desenvolvimento das peças ou dos significados que elas têm para mim. Fazem-no de forma exuberante, contraditória e liberatória. Para quem está em cena e para o trabalho, esta troca é fundamental.
entrevista com Marlene Monteiro Freitas via e-mail, Teatro Maria Matos, maio 2014
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Sinopse
Depois de Paraíso — Colecção Privada, Marlene Monteiro Freitas regressa ao Teatro Maria Matos com uma nova criação. de marfim e carne ― as estátuas também sofrem é um baile à sombra de Orfeu e Pigmalião em que figuras petrificadas sonham e, portanto, ruminam, transformam, desejam. Marteladas, talhadas, modeladas pela música, animam, adormecem e ressuscitam este baile de sono e de vigília que, por entre paredes de areia e sob um plinto de vida e de morte, permite a sombras engolirem seus próprios reflexos e, aos invisíveis, ganharem um rosto.
Marlene Monteiro Freitas estudou na Escola Superior de Dança em Lisboa e na escola P.A.R.T.S. de Anne Teresa De Keersmaeker em Bruxelas. De volta a Lisboa, iniciou o seu percurso artístico, ganhando reconhecimento com o solo Guintche (2010), a cocriação (M)imosa (2011) e a peça extraordinária Paraíso — Colecção Privada (2012). Marlene Monteiro Freitas é considerada uma das vozes mais singulares da dança contemporânea portuguesa e as suas criações são apresentadas em todo o mundo.

